Quem não conhecia o deputado Ciro Gomes (PSB), nos últimos dias surpreendeu-se com a metralhadora giratória de sua língua. Os que acompanham com mais proximidade a sua atuação política, não se assustam. Alguns até se revelam aliviados com os últimos fatos que levaram o político paulista (nasceu em Pindamonhangaba e mudou-se pequeno no Ceará, onde apareceu no cenário nacional) a abrir a sua torneira de críticas, disparando para todos os lados. Tudo mostra que seria uma temeridade ter uma pessoa tão instável em qualquer cargo de chefia, quanto mais na Presidência da República que é o que ele postulava.
Ao saber que tinha sido preterido pelo próprio partido na disputa presidencial, e vendo-se sem espaço para lançar-se candidato a governador de São Paulo, Ciro Gomes partiu para o tudo ou nada. Primeiro, questionou a capacidade da ex-ministra Dilma Rousseff (PT), pré-candidata à sucessão de Lula na Presidência da República. Ao mesmo tempo, afirmou em duas ocasiões que José Serra (PSDB), pré-candidato tucano, é mais bem preparado do que a petista, embora já tenha dito também que ele seria uma "figura nefasta" comandando o Brasil. Em entrevista à RedeTV!, no final de semana, fez críticas ao PMDB, ao PT e também ao candidato tucano.
Descontrolado, sentindo-se preterido e considerando-se a melhor opção para o Brasil, Ciro Gomes diz que não há força humana que o faça desistir da candidatura à Presidência, mesmo diante da afirmativa de seu partido de que o PSB vai apoiar Dilma Rousseff.
Desde quando imaginou que seria ungido pelo PSDB como candidato a presidente e deixou o partido ao perceber que o preferido para suceder Fernando Henrique Cardoso seria o então pefelista Luiz Eduardo Magalhães, Ciro tem uma leitura toda particular da situação política que o envolve. Primeiro, deixou o ninho dos tucanos e passou a frequentar os espaços do PT (como militante do PPS de Roberto Freire e, depois, no PSB), chegando a ministro no primeiro mandato de Lula. O filho de ACM morreu e Ciro ficou perdido: por causa de uma atitude impensada, perdeu o bonde da história e a possibilidade de lutar com José Serra pela indicação tucana. Disputou a Presidência duas vezes, ficando sempre atrás do candidato tucano (FHC, em 1998, e José Serra, em 2002).
Hoje está condenado a ocupar instâncias desconfiguradas. Vaga à margem das decisões exaradas do Planalto e dos atos de seu partido, que integra a base aliada do governo Lula. Tal qual habitante de uma dimensão paralela, Ciro Gomes busca ganhar no grito a preferência, tenta empurrar sua candidatura goela abaixo da base aliada. Tirou o pé da realidade.
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