Atraso na transferência de veículos irrita despachantes


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Os despachantes de Franca têm enfrentado uma verdadeira “saia justa” com os clientes que precisam transferir a propriedade dos veículos. Há cerca de três semanas, o tempo de espera pelo documento passou de cinco para até 15 dias. Há relatos de quase dois meses de espera. O atraso irrita os motoristas. Os despachantes atribuem a demora a problemas na Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito). Para eles, a entrada de funcionários sem prática no fim do ano passado e a determinação do Detran para que concessionárias e estacionamentos transfiram os veículos para o nome da empresa antes de vendê-los provocaram o acúmulo de serviços. Por dia, a Ciretran recebe 250 pedidos de transferências.


Os clientes do Despachante Cometa têm esperado no mínimo dez dias para estar com o veículo em seus nomes. “Se tiver que fazer o cadastro do motor, demora mais. Tenho um caso que já está beirando os dois meses de espera”, disse a auxiliar de escritório Fabiane Garcia.


Leonardo Coelho, funcionário do Despachante Alcântara, enfrenta situação semelhante. “Atendo duas concessionárias e acho que só nosso despachante está com 150 documentos em atraso. Aumentou muito o número de transferências na Ciretran e ainda há o problema da falta de prática dos funcionários”.


O Código de Trânsito exige que revendedores de veículos façam as transferências para a empresa antes de vendê-los. Isso não era praticado pelos municípios paulistas. Em Franca, o prazo para a lei ser cumprida terminou dia 15 de abril, o que provocou aumento de 20% na solicitação de transferências.


DEMORA
A concessionária Ortovel comercializa carros seminovos e precisou transferir 60 veículos para o nome da empresa. “Tenho 60 carros no estoque e pago cerca de R$ 400 para a transferência de cada um. Gastei R$ 24 mil para regularizar tudo e ainda tenho de esperar”, disse ele.


Para quem espera, a situação também não é fácil. Ricardo Cintra aguarda transferências de um caminhão e uma moto desde o dia 5 de abril. “Sorteamos a moto para presentear um cliente, mas ainda não conseguimos entregar”, disse ele.


O delegado da Ciretran, Sidnei Martins, disse que não há tanto atraso. “Houve necessidade de trabalhar à noite e sábado, mas tudo já voltou ao normal”, disse ele.

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