Luciene Ferreira
Especial para o Comércio
Sábado, 10 de abril de 2010, 18h10. A Avenida Cruzeiro do Sul, na capital paulista, estava tomada por milhares de pessoas com um visual bem anos 1980. Todos esperavam para entrar no Santana Hall, local onde estava marcado o tão esperado show do Wasp, banda hard metal californiana fundada e liderada pelo vocalista Blackie Lawless, com influências de Kiss, Black Sabbath e Twisted Sister.
O clima era de tensão e nervosismo. Havia rumores cada vez maiores sobre o cancelamento do show em São Paulo, já que um dia antes, em Curitiba (PR), a apresentação tinha sido cancelada porque a produtora do evento não cumpriu as exigências da banda.
Apesar do medo, a fila foi ficando cada vez maior. Eis que às 19 horas surgiu um dos organizadores do evento informando que os "caras" tinham chegado atrasados e estavam passando o som. Logo as portas se abririam para o público. Fazia muito frio e a estudante francana Mayara Nascimento, de apenas 14 anos, estava ansiosa. Ela viajou cerca de 400 quilômetros só para ver de perto a performance de Black Lawless e companhia. Seu pai, o cabeleireiro Renato Nascimento, 38 anos, estava mais impaciente e cansado. Disse que pensaria muito bem antes de voltar a um show desses novamente. "É muito sofrido, a gente viaja mais de cinco horas, passa frio, fome, esperando na fila para entrar, além do custo que é muito alto. Já vi muitos shows, não sei se ainda vale a pena todo o sofrimento", afirmou.
Eis que o momento chega. Exatamente às 20 horas os portões se abriram. Meia hora depois, com duas horas de atraso, o baterista Mike Dupke entrou no palco e ao som de Mephisto Waltz o restante da banda acompanhou. Lawless usava uma camiseta da banda e uma bota de franjas, aparentava um pouco mais do que seus 53 anos. Ao som de On Your Kness o público esqueceu todo o sofrimento anterior.
A galera foi à loucura com as músicas. Lawless usou sua voz marcante e tentou apagar seu jeito seco para conversar um pouco com o público. Aproveitou suas conversas mais para divulgar o novo disco do grupo, Babylon.
Ao fundo do palco, um telão rodava clipes das músicas em sincronismo perfeito com o som e a iluminação. Com as canções L.O.V.E Machine, Wild Wild e Hellion, I don't need no Doctor e Scream Until You Like it todos gritaram e cantaram juntos. Ao som do "hino" I Wanna Be Somebody o local "pegou fogo". Todos a uma só voz cantaram a música de maior sucesso da banda americana. Assim terminou a primeira parte da apresentação.
Na seqüência voltaram para o bis com a música Heaven's Hung in Black. Em meio ao solo do guitarrista Doug Blair, Lawless rezou olhando para o alto e finalizando com o sinal da cruz (delírio da plateia). Para encerrar, Blind in Texas. Foi aproximadamente uma hora e meia de um show definido por alguns como inesquecível, apesar dos impasses.
Carlos Alberto, 38, funcionário público francano, disse que a apresentação foi além do esperado, apesar de não ter sido ao estilo anos 1980, como a anterior da banda no Brasil, em 2004. "Foi ótimo, não me incomodei em esperar na fila tanto tempo. Se eles voltarem ao Brasil, com certeza irei de novo. Sou muito fã deles".
SERTANEJO NÃO!
Teve roqueiro que levou um susto ao voltar pra casa no micro-ônibus da Helltur. Após o show, a galera composta por 17 pessoas teve uma surpresinha. "Estávamos todos dormindo, sonhando com a performance de Lawless, quando de repente acordamos assustados com uma música sertaneja tocando alto. Era o motorista do ônibus que havia colocado um CD do Bruno & Marrone", disse Márcio, o Bolão, dono da empresa que organiza excursões para diversos shows na capital paulista. Ao final, a paz foi restabelecida. "Mediante insistente reclamação, o motorista cedeu e reinou o silêncio", disse.
SAIBA MAIS SOBRE O WASP
Fundado no início dos anos 1980, grupo é formado por Blackie Lawless (vocal e guitarra), Mike Duda (contrabaixo), Mike Dupke (bateria) e Doug Blair (guitarra)
Muita gente sai da cidade rumo a São Paulo para ver de perto grandes shows internacionais. Este ano já se apresentaram no Brasil AC/DC, Megadeath, Social Distortion e Epica e ainda virão Manowar (7/5), ZZ Top (20, 21 e 23/5), Aerosmith (29/5) e Scorpions (19/9)
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