Tristes constatações


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Apenas nos últimos quinze dias foram sete mortes constatadas no trânsito francano envolvendo acidentes com motos. Motos contra carros, motos contra bicicletas e contra pedestres. Todas as possibilidades foram exploradas pela fatalidade apenas nesse mês. Não existem números oficiais divulgados a respeito, mas levantamentos feitos a partir de informações hospitalares já apontam abril como recordista no número de fatalidades no trânsito francano. Nada que se orgulhar, tudo a se lamentar. E, infelizmente, o crescente e violento movimento de veículos nas ruas e nas rodovias da cidade aponta para o aumento dessas ocorrências, se alguma atitude eficiente não for tomada desde já.


Às mortes constatadas somam-se mutilações, fraturas, cicatrizes irremediáveis - tanto entre motociclistas quanto entre suas vítimas - que não apenas se mantêm no transtorno e sofrimento causados por todo tratamento, mas afetam intensamente a vida familiar, a estabilidade psicológica e moral dos envolvidos e de seus entes queridos. E, por se tratar de fatos que em sua maioria agregam o traço da juventude, são saturados pela inconformidade de parentes e amigos. Nada mais triste para uma família que se descobrir abruptamente ceifada da convivência de seus filhos, muitos desses saídos da adolescência, e com todo o futuro pela frente. Uma verdadeira cadeia de desafios sucede o processo de resgate das vítimas e parece incomodamente interminável, em todos os sentidos. E parece que as providências, quando estão presentes, não são satisfatórias sequer para minorar os riscos.


Raro descobrir, entre condutores de veículos maiores, alguém que já não tenha se envolvido com incômodos e constrangimentos - muitos desses graves para o bom relacionamento no trânsito - envolvendo motociclistas. Infelizmente é fácil constatar que grande parcela desses acidentes envolve motociclistas a trabalho, que desenvolvem manobras arriscadas e velocidades incompatíveis com as exigidas pela segurança. Grave é notar que alguns desses operários do trânsito são cobrados pelo tempo e desempenho, por seus contratantes, para demonstração de capacidade profissional. Nada mais equivocado, nada mais arriscado. Veículo não é arma, trânsito não é ringue, motociclista não é combatente nem alvo.


O aparentemente daninho relacionamento entre condutores de veículos de duas ou mais rodas não pode ser mantido nos níveis em que se encontram hoje e alguma atitude precisa ser urgentemente tomada para reverter essas tendências. Se não pela sensatez, ao menos pelo bolso: estudos acadêmicos apontam um custo de R$ 500 mil aos cofres públicos e privados para cada acidente envolvendo vítimas fatais e em mais de R$ 100 mil para danos físicos e materiais. Como sempre, é mais barato prevenir que remediar. E inegavelmente mais humano nesse caso.

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