Produção aquecida faz sapateiros ‘sumirem’ do mercado em Franca


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SETOR AQUECIDO - Funcionários trabalham na linha de produção da Carmen Steffens. Empresa tem encontrado dificuldade na contratação de profissionais qualificados. Chanfrador, coladeira e cortador são os mais escassos
SETOR AQUECIDO - Funcionários trabalham na linha de produção da Carmen Steffens. Empresa tem encontrado dificuldade na contratação de profissionais qualificados. Chanfrador, coladeira e cortador são os mais escassos

Contratar mão-de-obra especializada em Franca tem sido um desafio cada vez maior para as indústrias calçadistas da cidade. Com a recuperação do setor, encontrar candidatos para vagas específicas da área de produção pode levar até um mês. Tarefa que um ano antes não demorava mais que três dias. Profissionais como chanfrador, cortador, pespontador e coladeira de peças estão entre os mais escassos no mercado. Prestadores de serviços com banca de pesponto também fazem parte da lista.


Além da dificuldade de achar pessoal preparado para o cargo, os departamentos de Recursos Humanos enfrentam ainda o êxodo de trabalhadores para outros setores como o comercial e de serviços. Outro fator destacado é a grande oferta de vagas para as mesmas funções. “A situação está difícil. A gente fica um mês procurando e não encontra o funcionário ideal. Todos os bons já estão empregados e os que sobram querem mudar de área”, disse Michele Martins Marques, responsável pelo RH da Azurita Calçados.


Para os encarregados das admissões, a situação começou a se agravar no começo do ano, com o aquecimento das vendas de calçados para o mercado interno, a recuperação das exportações e a taxação ao sapato chinês.


Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que o saldo de empregos acumulado nos três primeiros meses de 2010 somou 7862 novos postos de trabalho contra 4270 registrados no mesmo período do ano passado.


Gerente de RH da Carmen Steffens, Ana Tereza Lara e Silva acredita que, como todas as empresas estão contratando, os candidatos disponíveis não conseguem se encaixar nos requisitos exigidos para a admissão. “As pessoas chegam sem nenhum conhecimento para disputar a vaga”. Ontem na fábrica do Distrito Industrial haviam 31 vagas abertas.


Com a demanda maior que a procura, muitas empresas precisaram inclusive rever os salários pagos para as funções mais difíceis de serem preenchidas. Cargos que anteriormente tinham rendimentos médios de R$ 700 sofreram aumento de até R$ 150. Sem outra alternativa imediata para ocupação da vaga, a busca por recém-formados em cursos profissionalizantes da área no Senac Franca disparou. Segundo o coordenador técnico do Senac, Wagner Lopes, a entidade possui um banco de alunos e ex-alunos para indicar para as empresas. “A procura tem sido constante. Passamos o telefone e a empresa entra em contato, mas não é sempre que o candidato está disponível”, disse Lopes.


Preocupado com a situação, o Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Franca) enviou na semana passada um questionário para os associados apontarem como está a escassez de profissionais. De 215 empresas que receberam a pesquisa, segundo a assessoria do sindicato, quase 10% já responderam e confirmaram a existência do problema. O Sindifranca espera a resposta de mais calçadistas para decidir o que pode ser feito.

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