Edwin Powell Hubble foi um astrônomo espetacular. No telescópio instalado no Monte Wilson ele descobriu que as nebulosas eram galáxias que se afastavam umas das outras, primeira evidência do Big Bang.
Quando a NASA construiu o seu primeiro telescópio espacial, um fantástico equipamento deveria homenagear alguém à altura. Nascia o Telescópio Espacial Hubble para a luz visível e infravermelha. Foi lançado em 24 de abril de 1990 pelo ônibus espacial Discovery. Neste mês comemoramos vinte anos de gloriosa existência.
O primeiro astrônomo a defender a idéia foi Lyman Spitzer, em 1946, quando apresentou as vantagens de se alocar um telescópio fora da atmosfera: primeiro, no vácuo não há a turbulência que provoca a cintilação das estrelas e que deforma a visão; segundo, a luz infravermelha e ultravioleta são absorvidas pela atmosfera e isso não ocorre no vácuo. Em 1962, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América reivindica um telescópio espacial e, em 1965, Spitzer torna-se o diretor do projeto. Em 1966, o primeiro Observatório Astronômico Orbital da NASA falha, mas o segundo observou a luz ultravioleta das estrelas e galáxias de 1968 a 1972.
Esse sucesso impeliu a NASA a projetor um grande telescópio refletor espacial, com um espelho de 3 metros de diâmetro, planejado para 1979. Porém, depois de muitos problemas orçamentários, reduziram o diâmetro do espelho para 2,4m. Uma parceria com a Agência Espacial Européia, ESA, forneceu instrumentos e as células solares que fornecem energia, ficando com 15% dos custos e do tempo de observação para astrônomos europeus, claro!
A construção do telescópio iniciou-se em 1978. Os espelhos deveriam ser polidos com uma precisão de 30 nanômetros (30 bilionésimos de metro). O polimento aconteceu de 1979 até maio de 1981. Uma série de problemas provocou o adiamento do lançamento. Após longa análise e reformulação dos foguetes – a Challenger havia explodido – , finalmente o Hubble foi lançado. Infelizmente as primeiras imagens transmitidas estavam fora de foco. O custo do acerto estava estimado em dois bilhões e meio de dólares. Finalmente, em dezembro de 1993, subiu a Endeavour com a missão de corrigir a miopia do Hubble, colocar "óculos" de espelhos e fazer algumas melhorias. Com isso, os cientistas foram brindados com imagens incríveis do nosso universo.
Em maio de 2009, o telescópio recebeu os últimos reparos previstos e alguns equipamentos novos. A NASA utilizará os últimos suspiros do Hubble para investigar corpos na região de Plutão, pesquisar o nascimento de planetas em outros sistemas solares e a composição química deles, medir a força que acelera a expansão do cosmo e ver as galáxias mais distantes, além dos 3 bilhões de anos-luz. Estima-se que já foram investidos dez bilhões de dólares. Certamente, um dinheiro bem gasto.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista sênior do INPE, professor universitário – mariosaturno@uol.com.br
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