A ex-estagiária de uma rede de óticas Ana Carolina Paulino, 20, soube do resultado da perícia pela Rádio Difusora. Emocionada, chorou ao lado da mãe. Após se acalmar e já com um sorriso, ela falou ao repórter Barros Filho, do Comércio.
Comércio da Franca - Como recebeu a notícia?
Ana Carolina Santos Paulino - Com alegria. Tanto é que agora você pode ver sorriso nos meus lábios. Antes não. Hoje já posso dormir sozinha (risos) (desde que deixou a cadeia, Ana dorme com a mãe).
Ana Carolina Santos Paulino - Com alegria. Tanto é que agora você pode ver sorriso nos meus lábios. Antes não. Hoje já posso dormir sozinha (risos) (desde que deixou a cadeia, Ana dorme com a mãe).
Comércio - Como foi aquela madrugada do dia 14 de março?
Ana Carolina - Acordei e levei um susto. Parece que eu não estava consciente na hora. Eu não sabia o que fazer. Sabe quando você não acredita, você acha que a pessoa (Kelly Mara) está viva. Coloquei a mão nela, estava gelada. Quando o rapaz do resgate (Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros) perguntou se ela tinha um plano funerário, que era para procurar, eu entrei em desespero. Entrei naquela apartamento gritando, chorando, não tinha ninguém ali que eu pudesse abraçar. Fiquei sozinha.
Ana Carolina - Acordei e levei um susto. Parece que eu não estava consciente na hora. Eu não sabia o que fazer. Sabe quando você não acredita, você acha que a pessoa (Kelly Mara) está viva. Coloquei a mão nela, estava gelada. Quando o rapaz do resgate (Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros) perguntou se ela tinha um plano funerário, que era para procurar, eu entrei em desespero. Entrei naquela apartamento gritando, chorando, não tinha ninguém ali que eu pudesse abraçar. Fiquei sozinha.
Comércio - E depois?
Ana Carolina - Um homem, não sei se era o delegado, conversou comigo (no apartamento) e disse que eu podia voltar pra casa. A minha amiga me levou. Não conseguia dormir. Depois o delegado me ligou e disse que precisa fazer algumas perguntas. Imaginei que fosse responder somente algumas perguntas. Eu conversei com o delegado, mas ele não acreditava em suicídio. Ele voltou do IML (Instituto Médico Legal)e falou: "Olha Ana, não tem saída, você vai ser presa hoje". Eu falei: o senhor vai prender uma pessoa inocente.
Ana Carolina - Um homem, não sei se era o delegado, conversou comigo (no apartamento) e disse que eu podia voltar pra casa. A minha amiga me levou. Não conseguia dormir. Depois o delegado me ligou e disse que precisa fazer algumas perguntas. Imaginei que fosse responder somente algumas perguntas. Eu conversei com o delegado, mas ele não acreditava em suicídio. Ele voltou do IML (Instituto Médico Legal)e falou: "Olha Ana, não tem saída, você vai ser presa hoje". Eu falei: o senhor vai prender uma pessoa inocente.
Comércio - O que imaginou?
Ana Carolina - Estava morrendo de medo de alguém por a mão em mim na cadeia. Entrei naquele lugar constrangida. Mas graças a Deus entrei em uma cela onde ficam grávidas, idosas e quem vai ficar pouco tempo na cadeia. Era uma cela tranqüila e calma. Na hora de sair, todo mundo começou a me abraçar, viram que eu era inocente, me deram a maior força. Saí de lá de cabeça erguida.
Ana Carolina - Estava morrendo de medo de alguém por a mão em mim na cadeia. Entrei naquele lugar constrangida. Mas graças a Deus entrei em uma cela onde ficam grávidas, idosas e quem vai ficar pouco tempo na cadeia. Era uma cela tranqüila e calma. Na hora de sair, todo mundo começou a me abraçar, viram que eu era inocente, me deram a maior força. Saí de lá de cabeça erguida.
Comércio - Você passou três dias presas. Você vai esquecer esta experiência?
Ana Carolina - Momentos ruins ou bons a gente nunca esquece. E não foram três dias, foram três eternidades. Não via a hora de sair. Aquilo não é lugar. Imaginava muita gente na cadeia, eu não.
Ana Carolina - Momentos ruins ou bons a gente nunca esquece. E não foram três dias, foram três eternidades. Não via a hora de sair. Aquilo não é lugar. Imaginava muita gente na cadeia, eu não.
Comércio - Que conseqüências este episódio trouxe para a sua vida?
Ana Carolina - Conseqüências ruins. Perdi meu emprego, a minha moral, amigos. Fiquei constrangida, com vergonha das pessoas me olharem com olhos. Fiquei com medo de alguém achar que era verdade, medo de ser agredida, humilhada. Mas isto não aconteceu.
Ana Carolina - Conseqüências ruins. Perdi meu emprego, a minha moral, amigos. Fiquei constrangida, com vergonha das pessoas me olharem com olhos. Fiquei com medo de alguém achar que era verdade, medo de ser agredida, humilhada. Mas isto não aconteceu.
Comércio - Como vai ser sua vida de agora em diante?
Ana Carolina - Vou tocar minha vida com luta, esforço, garra e força. Vou voltar a fazer algum curso. Quero crescer.
Ana Carolina - Vou tocar minha vida com luta, esforço, garra e força. Vou voltar a fazer algum curso. Quero crescer.
Comércio - Você pretende processar o Estado?
Ana Carolina - No momento eu não sei. Tenho que por minha cabeça no lugar. Estou tensa e não penso nisso agora.
Ana Carolina - No momento eu não sei. Tenho que por minha cabeça no lugar. Estou tensa e não penso nisso agora.
Comércio - Se você encontrasse o delegado que a prendeu, o que diria a ele?
Ana Carolina - Eu queria saber o que ele pensa de tudo isto. O que levou ele a pensar que eu seria uma assassina. Queria conversar com ele e saber se isto foi uma lição de vida para ele.
Ana Carolina - Eu queria saber o que ele pensa de tudo isto. O que levou ele a pensar que eu seria uma assassina. Queria conversar com ele e saber se isto foi uma lição de vida para ele.
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