Diário de bordo VII


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Estuário do Prata -
Águas barrentas
Vão, aos poucos, manchando
O espelho azulado do mar
O vento despenteia as ondas
Cobrindo de mechas prata
A infinda cabeleira líquida
Devagar
Muito suavemente e devagar
O oceano se abre para acolher a corrente
Impulsionada pelo inexorável
Há silêncio agônico e extático
No lento desfazer-se do rio
As águas riomarejam em ondas de seda espelhada
Levam a plenitude  do rioceano  para além
Para o grande encontro azul
Com o céu
Que se abre à frente.
 

Regina Helena Bastianini
Professora, poeta  autora de  Eu e o  mundo (1990), Entrenós (2003), Contraponto (2006)

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