Uma nova ordem


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Nunca tivemos um momento tão profícuo em discussões internacionais como o atual. Os interesses mundiais começaram a ser globalmente discutidos a partir da crise financeira vivida nos anos 2008/2009 e desemboca, atualmente, na questão do Irã. É certo, que há muito se discute questões internacionais, mas, historicamente, dentro de um viés de alinhamento automático que a grande maioria dos países adotou em relação às grandes potencias mundiais.


O que vislumbramos agora é a possibilidade de termos uma nova Ordem Internacional, reequilibrando o poder e a influência entre os países e buscando, dessa forma, acabar ou minimizar com a tradicional manipulação e exercício de força dos Estados Unidos (e seus aliados) nos órgãos políticos internacionais, em particular e em especial, no Conselho de Segurança da ONU.


Teima-se em querer estabelecer dois pesos e duas medidas na questão do domínio tecnológico do urânio enriquecido. Com um discurso nonsense, o governo americano defende mais sanções econômicas ao Irã, em face da sua 'suposta' capacidade de construir bombas atômicas em 'cinco anos' e, com isso, colocar os interesses americanos e de judeus em risco. Ora, esse é o mesmo argumento infundado utilizado no ataque ao Iraque entre 2002 e 2003.


O Presidente Obama reproduz a ação dos seus antecessores. É óbvio que o interesse é o de manter, sob o controle norte-americano, as reservas de petróleo. Isso esteve por trás da invasão no Afeganistão e, também, no Iraque. No caso do Irã, ainda temos o agravante de que o mesmo representa um contraponto político e militar importante aos interesses dos EUA e de Israel no Oriente Médio. Não fosse o Irã, teríamos um completo domínio americano/judeu naquela região.


Por outro lado, na Cúpula Internacional para a Segurança Nuclear, realizada semana passada, ficou evidente o disparate entre o discurso americano e a sua efetiva prática. Tão logo terminou a Cúpula, o presidente Obama autorizou o Congresso americano a ampliar o orçamento da indústria bélica. Vale lembrar que o orçamento militar americano, sozinho, supera todos os demais orçamentos militares dos demais países, somados. Outro 'detalhe' da hipocrisia que reina na geopolítica americana é o fato do Irã estar sendo alvo das ameaças americanas, mas não há sequer uma palavra de advertência ou interpelação a Israel que possuem ogivas nucleares, obtidas em um programa nuclear desenvolvido de forma clandestina (mas com tecnologia americana). O que está em jogo, além do domínio militar, é também o poder de impor dependência tecnológica ao mundo, pois, dominar a tecnologia nuclear é fundamental para o desenvolvimento de áreas como a da energia e da saúde.


Assim, certo está o Brasil em fazer parte de novas formações políticas internacionais. Tanto o BRIC como o IBAS (com a Índia e a África do Sul) podem possibilitar e reservar ao Brasil um importante papel estratégico. Temos tudo para isso. Nosso maior desafio (das potencias emergentes) é o de dar conta dos problemas internos existentes e, ao mesmo tempo, adotar práticas positivas para o desenvolvimento global.

 

Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário

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