Falta sentimento pátrio


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A passagem do 21 de abril mostra o que este jornal já vem apontando, nos últimos anos, com relação aos feriados nacionais: o brasileiro deixou de exaltar a sua pátria, de cultuar os seus heróis e lembrar o feito de seus antepassados. A ausência do sentimento pátrio acaba prejudicando até a autoestima de um povo. O que se viu no feriado dedicado a Tiradentes (mártir da Inconfidência Mineira, que buscava livrar o Brasil da dominação de Portugal) foi uma coisa só: apenas lazer e compras. Foi, aliás, o que os órgãos de comunicação divulgaram: a folga no meio da semana serviu para que o brasileiro fosse às compras.


Não existem culpados para tal estado de coisas. Mas há uma sucessão de fatos e sentimentos que descambam para a total falta de comprometimento com a história do País. Passa pelo ensino público, que já não destaca de forma categórica os aspectos heróicos dos personagens da vida brasileira, desde o descobrimento em 1500; resvala nos políticos que deixaram de se preocupar com o que o brasileiro aprende nas escolas; e chega aos governantes, em todos os níveis, que não buscam alternativas viáveis para melhorar o que vem sendo transmitido nas salas de aula.


Acomodado, o brasileiro aceita a situação. Não busca cobrar daqueles em quem votou o cumprimento de promessas feitas durante campanhas eleitorais, as quais passam necessariamente pela melhoria da educação. A cada eleição, candidatos prometem mundos e fundos, mas quando eleitos se acomodam e, por isso, acompanhamos ao longo dos anos a sua falta de comprometimento com os brasileiros e com os problemas (inúmeros) do nosso País.


Ignorar Tiradentes e sua importância para a História do Brasil é imperdoável. Assim como ignorar o Descobrimento, a Independência, a Proclamação da República e os diversos movimentos registrados ao longo da existência desta Nação, uma das maiores do mundo e que continua crescendo para ocupar a posição de destaque que lhe cabe na ordem mundial. Quem não cultua seu passado não se preocupa com o seu futuro. Já passa da hora de o brasileiro refletir sobre a história do seu País, apesar das mazelas, da acomodação e da falta de ação dos políticos e governantes. Pensar é custoso, mas pode trazer transformação, se não a curto, ao menos a médio e longo prazo.


As personalidades que ajudaram a construir o Brasil não merecem o limbo a que estão relegadas nas últimas décadas. Temos que lembrar os nossos heróis e mártires, e todos os seus feitos; também entender as fases por que passamos desde a colonização até a independência, para que tenhamos orgulho dos nossos fundamentos como nação. Sem compreender o processo histórico, ninguém consegue ser agente de mudanças na esfera pública.

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