A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) avaliará, a partir do segundo semestre deste ano, o subsolo de 25 cemitérios públicos e particulares da região de Franca. A companhia quer saber se as áreas estão contaminadas por necrochorume, líquido que vaza na decomposição dos cadáveres e pode atingir o lençol freático.
Superintendente da Cetesb Franca, Francisco Setti diz que 90% dos cemitérios da Bacia do Sapucaí são potenciais poluidores da água do subsolo, pois não atendem às normas de controle ambiental. Para confirmar essa suspeita e o grau de contaminação com o líquido, será realizado um estudo geológico em lugares específicos dentro dos cemitérios e nas redondezas. “O necrochorume é muito concentrado de matéria orgânica que tira o oxigênio da água, além de conter muitos metais pesados prejudiciais à potabilidade da água”, disse Setti.
Diante do resultado obtido e da divulgação de uma série de normas a serem seguidas, a Cetesb dará o prazo necessário para as prefeituras regularizarem a situação. Entre as exigências que serão feitas, algumas já são cobradas por uma resolução do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente), como a descontaminação da área e a realização de sepultamentos em gavetas impermeabilizadas e dotadas de mantas de absorção do necrochorume.
Pesquisador da área, o hidrogeólogo Leziro Marques da Silva diz que o problema acontece em todo o País e se agrava à medida que mais sepultamentos são realizados sem proteção ao meio ambiente. Para ele, o prejuízo é de ordem ambiental e de saúde pública. “75% dos cemitérios públicos da macrorregião de Ribeirão Preto precisam fazer a adequação e desenvolver técnicas para desinfetar o subsolo e acelerar a decomposição do cadáver”.
Setti acredita que no prazo de dois anos todos cemitérios da região estarão em processo de recuperação do subsolo, já as construções de novos cemitérios ou ampliações só terão a licença ambiental se atenderem às exigências de controle do necrochorume.
Ainda segundo o superintendente da Cetesb, dos três cemitérios existentes em Franca (Saudade, Santo Agostinho e Parque das Oliveiras), somente o Parque das Oliveiras, por ser particular e ter sido construído mais recentemente, está dentro das normas de proteção ambiental. “Já fizemos o levantamento cadastral de todos os cemitérios da região, o próximo passo agora é fazer a avaliação in loco”. A ação será realizada em todo o Estado de São Paulo e a divulgação do resultado, ainda sem previsão de data, ficará a cargo da gerência estadual da Cetesb.
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