Já se passaram 21 anos desde que eu aos 32 anos de idade pude exercer meu voto para Presidente pela primeira vez. Pra quem tem memória curta, a história do Brasil foi assim: Fernando Collor em 1989, FHC em 1994 e 1998 e Lula em 2002 e 2006. Só tivemos cinco oportunidades para praticar o exercício do voto. Parece muito pouco, não é? Por isso temos que estar antenados.
Quero repetir a seguir algumas pequenas reflexões e idéias de textos que já publiquei antes, mas que são necessários para o que vem pela frente neste ano de eleições:
(A) Não existe voto de branco, voto de negro, voto de pobre ou voto de rico. Diante da urna, todo mundo é igual. Esse é o exercício maior da democracia, que deve ser festejado e defendido dos que tentam manipulá-lo; (B) O voto nulo é uma opção válida, democrática e que deve ser respeitada como um direito de cada um. Mas se 70% dos eleitores votarem nulo, será eleito o presidente que os 30% que votaram válido quiserem. Pense nisso; (C) Os profissionais esfregarão em nossa cara as alianças mais esdrúxulas, apresentadas como tiradas estratégicas. Desfilarão realizações de um lado e desmentidos de outro. Novos malandros vão aparecer. Velhos malandros vão reaparecer. E desfilarão mentiras em horário nobre. Tudo convenientemente "dudificado". "Dudificar": seguir a cartilha do Duda, criando embalagens irresistíveis para produtos envelhecidos, desonestos, perigosos...; (D) Enfrentaremos poderosas máquinas de criação de mentiras simbólicas. Ouviremos que as privatizações foram ruins, que "nunca antes neste País" se fez isto e aquilo, que o PAC existe, que fulano ou cicrano nunca foram condenados, que o chefe "não sabia" e todas aquelas armações da linguagem que transformam "sins" em "nãos"; (E) Este é o momento em que você será guiado por seus valores e convicções. Lembre-se: você tem vontade própria, não é uma máquina a serviço de um partido ou de uma ideologia. Você tem o direito de escolher o que julgar melhor para você e para o País. Portanto, faça essa escolha de maneira consciente. Examine todos os lados. Cuidado com as unanimidades e com as certezas absolutas. Cuidado com teses que prometem o céu no futuro provocando o inferno no presente. Cuidado com quem reescreve o passado. Cuidado com quem transforma convicções políticas em fervor religioso.
Minha sugestão é que, diante do bombardeio de notícias e opiniões, você faça cinco perguntas: (1) Quem criou essa mensagem?; (2) Que técnicas criativas foram usadas para chamar minha atenção?; (3) Se eu não fosse quem sou, não morasse onde moro, não tivesse a educação que tive, como é que eu entenderia essa mensagem?; (4) Que valores, estilos de vida e pontos de vista estão representados ou foram omitidos dessa mensagem?; (5) Por que essa mensagem está sendo enviada?
Essas cinco perguntinhas não garantem nada, mas criam um estado de alerta para as armadilhas marqueteiras postas à nossa frente diariamente pelos profissionais de comunicação a serviço dos partidos e candidatos.
E, para finalizar, lembre-se sempre de Aparício Torelly, nosso Barão do Itararé: "Os vivos serão sempre, e cada vez mais, governados pelos mais vivos".
Luciano Pires
Jornalista, escritor, conferencista e cartunista
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.