A epidemia de dengue registrada neste ano na região não vem recebendo a atenção merecida da população. Embora Ribeirão Preto apresente números superlativos de casos confirmados nos primeiros quatro meses do ano (mais de 12 mil), não podemos deixar de considerar como extremamente preocupante a incidência da infecção pelo aedes aegypti em pelo menos cinco cidades próximas: até agora, Orlândia, Igarapava, Ituverava, São Joaquim da Barra e Miguelópolis contabilizam 639 casos confirmados, havendo ainda 854 suspeitas. Embora pareçam números pequenos, diante dos que vêm sendo registrados em outras cidades, mostram que a realidade no entorno não se caracteriza pela tranquilidade.
Com uma população de pouco mais de 160 mil habitantes, estas cinco cidades registram (proporcionalmente) um número superior de casos em relação à cidade de São Paulo. Até agora, a capital do Estado (com uma população 62 vezes maior) contabiliza 1494 pacientes infectados pelo vírus da dengue. Em termos percentuais, tivessem os mesmos dez milhões de habitantes, as cinco cidades registrariam quase 40 mil casos no mesmo período. Assim, percebe-se a verdadeira dimensão do avanço da infecção.
Deve-se ressaltar ainda que, assim como em todo o País (onde a dengue foi subestimada e atinge níveis próximos da pandemia), nos cinco municípios as autoridades sanitárias vêm fazendo o que podem. Campanhas, visitas domiciliares e orientação nas escolas, entre várias outras medidas, já foram implementadas e repetidas à exaustão, mas todos os envolvidos no trabalho de orientação e prevenção são unânimes: a maior arma contra a dengue é o próprio cuidado dos moradores na limpeza e desinfecção de suas próprias casas.
Visitadores da Vigilância Sanitária estão encontrando muita resistência — a ponto de, em Ribeirão Preto, precisarem recorrer a ações judiciais para inspecionar casas e terrenos murados. E se os habitantes não implementarem medidas simples e corriqueiras, as autoridades, sem apoio, dificilmente conseguirão dizimar os criadouros do mosquito transmissor da dengue. E a orientação é simples: água parada (em garrafas, vasos, tanques, latões, pneus e piscinas, entre outros) é um criadouro em potencial. Caixas-d’água abertas também. Então, se estes objetos (e muitos mais que armazenam água) não forem esvaziados e colocados de forma a impedir que voltem a reter a água, a dengue continuará por aí, ameaçando a saúde de todos.
O comprometimento tem que ser total, já que todos precisam se engajar neste trabalho. Afinal, qualquer descuido de morador coloca em xeque todo o trabalho realizado pela comunidade. A dengue continua rondando e não adianta cruzar os braços esperando que as autoridades sanitárias realizem um milagre que depende da atenção de todos. Mais que de higiene, o problema é de consideração, pois pede um olhar para o outro, que pode ser contaminado por pura negligência do vizinho.
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