A CPI da Pedofilia quer ouvir o padre José Afonso Dé, 74. A informação foi confirmada na noite de ontem pelo senador Magno Malta, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito criada para combater crimes sexuais contra crianças e adolescentes. A data e o local do depoimento não foram definidos. "Ainda não vamos determinar o dia porque temos que ter conhecimento do inquérito e conhecer os abusados em todas as denúncias. Alguns deles vamos convocar para estar na CPI também, porque queremos entrar nessa investigação", afirmou o senador.
De acordo com Malta, a convocação do religioso deve acontecer na próxima terça-feira. "Na reunião da CPI, entro com um requerimento para aprovar a convocação, a comissão vota e aprova sem problemas", disse.
Mesmo antes da convocação se tornar oficial, o senador entrou em contato com os advogados de padre Dé para comunicar a decisão. Segundo o advogado Eduardo Caleiro, Malta ligou ontem pela manhã, mas não conseguiu falar com os defensores do religioso, que retornaram a ligação à tarde. "Não consegui falar com ele depois, mas na quinta-feira vamos resolver isso", disse Caleiro. O advogado também afirmou não conhecer o funcionamento da CPI. "A gente não sabe como é o trâmite disso. Se existe um prazo", disse ele.
PASSO A PASSO
O presidente da Comissão Parlamentar explicou que o primeiro passo para que padre Dé seja ouvido pelos senadores é a votação de sua convocação na próxima terça-feira. "Com a aprovação, a gente vai oficiar a polícia e pedir aos promotores que são assessores aqui da CPI para fazer contato com os promotores de Franca e, na próxima semana, teremos um conjunto de mais ou menos o que nós necessitamos", disse Malta.
A partir de então, a CPI avalia o inquérito e marca a oitiva do padre. "Se houver necessidade de envolvimento em que nós temos que buscar mais gente que não foi alcançada pelo inquérito, certamente nós vamos a Franca, como fomos a Alagoas. Mas é preciso estar consciente, com uma investigação muito forte na mão e é o que queremos fazer", afirmou o senador.
O trabalho da Comissão no Estado de Alagoas, citado pelo senador, resultou na prisão de um monsenhor e dois funcionários dele suspeitos de abusar de menores. Eles receberam voz de prisão na cidade de Arapiraca, na última segunda-feira, depois de acareações com outros acusados de abuso sexual (leia mais em texto nesta página).
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