‘Nunca imaginei que ele morresse desta forma’


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O pedreiro Ivo Antônio Alves, 52, pai de Maicon Cristiano Siqueira Alves, 23, encontrado morto na madrugada de ontem, aguardava a remoção do corpo, quando concedeu entrevista para falar sobre o crime e o filho.


Comércio - Como o senhor ficou sabendo da morte do seu filho?
Ivo Antônio Alves -
Eu estava dormindo quando bateram no portão da minha casa. Um rapaz disse que viu ele caído. Não acreditei que estivesse morto. Só tive certeza quando vi que ele estava gelado.
 

Comércio - Quando foi que o senhor o viu pela última vez?
Ivo Alves -
Foi ontem (segunda-feira). Eu e minha esposa estávamos chegando em casa quando o encontramos. Ele pediu o isqueiro da mãe para acender um cigarro e disse que depois que fumasse iria embora para casa dormir.
 

Comércio - Ele vinha sendo ameaçado de morte?
Ivo Alves -
Sim, há algum tempo ele já estava sendo ameaçado.
 

Comércio - Por quem?
Ivo Alves -
Eu não sei. Só ouvia comentário. Quando ele pegava as coisas (furtava), as pessoas diziam que não ia ficar assim. Falavam que ele tinha que morrer. Os comentários nos bares eram esses.
 

Comércio - Quando o senhor disse que ele pegava as coisas, isto significa que ele furtava?
Ivo Alves -
Ele furtava para usar drogas e não precisava. Em casa, nunca faltou nada para ele.
 

Comércio - Ele usava drogas?
Ivo Alves -
Usava drogas desde os 14 anos. Era viciado em crack.
 

Comércio - A família tentou ajudá-lo?
Ivo Alves -
Nós tentamos de tudo. Ele esteve internado umas dez vezes em casas de recuperação e até no Allan Kardec (hospital psiquiátrico).
 

Comércio - Alguma vez passou pela cabeça do senhor que ele pudesse morrer desta forma?
Ivo Alves -
Desta maneira não. Imaginava que poderia acontecer numa briga, mas não desta maneira.
 

Comércio - Ele devia dinheiro para traficantes?
Ivo Alves -
Ele falava que não devia nada para ninguém. Não devia drogas porque furtava e pagava com o dinheiro dos furtos.

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