O escuro túnel do tempo é a pista de que muitas surpresas serão encontradas pelo caminho. Bem à frente, um saci pererê todo sorridente dá as boas vindas. No próximo corredor, inspirado no Museu da Língua Portuguesa, apenas os quadros com fotos antigas de Franca iluminam a passagem. Durante todo o dia de ontem, a Semana Literária - que teve como tema Franca 185 anos - abriu as portas da escola COC - Monteiro Lobato de Franca para alunos das redes municipal e estadual da cidade e da região. O evento envolveu todos os 500 alunos da unidade, que mostraram que aprenderam bem a lição que homenageou o patrono do colégio, Monteiro Lobato, escritor que nasceu no dia 18 de abril de 1882.
Dividida entre as salas de aula, a mostra abordou vários temas, retratados com capricho tanto na decoração quanto no empenho dos alunos do Infantil ao Ensino Fundamental. Um deles chamou a atenção: a “Sala da Imprensa Falada e Escrita”. Os convidados eram recepcionados pelo simpático Tarcísio José Idalgo Costa, de 8 anos, caracterizado de Monteiro Lobato. Tammy Arantes de Souza, 8, e Heloísa Alvarenga de Souza, 7, sabiam de cor a história do Comércio da Franca, que foi fundado em 1915, e da rádio Difusora AM. A homenagem ficou para o radialista Valdes Rodrigues, apresentador do programa Jornal da Manhã na emissora. Até uma máquina de tipografia (pequenas peças de madeira ou metal com relevos de letras e símbolos usadas para produzir o jornal antigamente) fez parte do rico cenário.
Encenando, outra turma apresentou a “História do Calçado”. Sob a coordenação do professor de História e Geografia, Marcos Ferreira Costa, os alunos adaptaram o conto Memórias da Emília para falar do sapato francano. Os personagens do Sítio do Picapau Amarelo precisavam encontrar o calçado ideal para o Tio Barnabé. Muito bem feito.
Seguindo pelas salas de aula, os visitantes ainda conheceram, por meio de maquete, os afluentes dos córregos do Bagres, Cubatão e Espraiado, que abastecem a cidade. E viajaram pela cultura dos imigrantes oriundos do Japão, Portugal, Espanha, Nigéria, Líbano e Itália.
Os cantores francanos também foram representados: Rionegro & Solimões, Diego Figueiredo, o maestro Nazir Bittar, entre outros. As artes ficaram a cargo da artista plástica Maria Goret Chagas, que marcou presença na mostra.
Outra turma apresentou a biografia e as obras dos escritores francanos como o historiador José Chiachiri e o professor Luiz Cruz, colaboradores do caderno Nossas Letras do Comércio.
As histórias do couro e do café garantiram espaço na mostra, que ocupou toda a sede da escola. Dados estatísticos e a geografia de Franca também foram abordados.
Para recordar as conquistas do time de basquete, um estande exibia fotos, troféus e bolas. Ainda representando o esporte, o Clube do Jipe levou três carros para a exposição.
A coordenadora do Ensino Fundamental, Ana Maria Romero de Mendonça, reforça que a mostra só foi possível com o empenho dos professores e alunos, que trabalham no projeto desde setembro do ano passado. “Foram feitas várias entrevistas, pesquisas e visitas in loco em fábricas calçadistas, curtumes, entre outros locais. Muitos francanos ou até mesmo pessoas que vieram morar aqui não conhecem a própria cidade. A nossa ideia foi resgatar a história de Franca e ensinar de forma divertida e criativa”, afirmou Ana Maria.
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