O sinal ai acima servindo de título ao nosso apelo de hoje foi adaptado pelo governo alemão em 1905 nas regulamentações de rádio. Na Convenção Radiotelegráfica de 1906 passou a ser padrão como comunicação de emergência.
O primeiro navio a enviar um SOS foi o Arapahoe em 1909. Necessitava socorro urgente por estar perdido ao norte do continente americano. O popular SOS derivou-se de frases como Save Our Seamen ('Salve nossos marinheiros'), Save our Ship ('Salve nosso Navio'), Survivors On Shore ('Sobreviventes na costa') ou Save Our Souls ('Salve nossas almas'). Essas frases no entanto vieram depois como forma de ajudar a lembrar um código, as letras de SOS representando socorros emergenciais.
O SOS do aposentado brasileiro é "Sugação do sofrido solitário". O coitado é continuamente sugado com impiedade pela previdência mal gerida pelo governo. É sofrido em sua idade pelo alto consumo de medicamentos aos custos que não pode bancar com os minguados valores percebidos. É solitário, porque não pode sair as ruas enfrentando o trânsito assassino, é ignorado pela sociedade e julgado inválido para a mais simples atividade. Em muitos casos a própria família lhe nega atenção, carinho ou mesmo uma palavra, quando não o segrega em uma casa de idosos para nunca mais vê-lo.
Este é o quadro de vida do aposentado, foco de nosso grito de socorro, luta que tem motivado o senador Paulo Paim (RS) no sentido de minimizar o roubo que vem sofrendo aqueles que muito deram de seus esforços ao Brasil em sua vida útil.
Para avaliação do leitor, conto aqui a história de um aposentado em 1985. A previdência reconheceu seu direito aposentando-o com dez salários mínimos que seriam integrais por não existência do salário referência (base também para recolhimento). Portanto, seu direito era salário cheio. Oportuno examinar a situação atual desse aposentado, sentindo na carne o vulto do assalto que vem sofrendo mensalmente em seus proventos. A constituição reza que salários não podem ser diminuídos. Seu caso mostra outro procedimento do governo através da previdência. Usurpou de seus vencimentos mais de 60%, creditando em sua conta menos de quatro salários. Se justos fossem os critérios e garantido seu direito adquirido na concessão do benefício, ele estaria recebendo R$ 5.100.
A discussão acontece no Congresso Nacional. Mesmo em ano eleitoral ousam regatear protelando as votações de um reajuste que está muito longe dos reais valores, repito, usurpados criminosamente de quem os necessita para custear o que caberia – pela constituição – ao Estado: saúde.
Este espaço é também ocupado algumas vezes por dois especialistas na área de previdência. A eles caberia com muito mais acerto dissertar sobre a matéria. Que este SOS em ampla caminhada sensibilize o poder e a justiça salvando almas e corpos cansados de idosos que adorariam sorrir.
Garcia Netto
Jornalista
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