São preocupantes os números divulgados ontem pelo Ministério da Saúde sobre a vacinação contra a gripe A (H1N1) - a gripe suína. Apesar da campanha maciça realizada pelo governo federal, a vacinação está abaixo do esperado: desde o início da campanha, no dia 8 de março, já foram imunizadas 28 milhões de pessoas em todo o País. O número, superlativo para um Brasil de dimensões e população idem, não chegou nem à metade do público-alvo nas primeiras três etapas da campanha: apenas 47,5% compareceram aos postos de vacinação.
Segundo os dados fornecidos pelo Ministério, o grupo com menor índice de vacinação até agora é o de jovens com idades de 20 a 29 anos, no qual a cobertura é de 41%. A meta do ministério é que esse índice suba para 80%. Também abaixo do esperado está a imunização de grávidas (54%) e de doentes crônicos (56,2%). Só nos grupos de crianças com idades de seis meses a dois anos e de profissionais da saúde a meta do ministério foi alcançada. Entre crianças, a imunização alcançou 86%, enquanto a cobertura dos profissionais da saúde atingiu 100%.
Em Franca, os números não são diferentes: até a semana passada, de acordo com a Secretaria de Saúde, desde o início da campanha foram vacinadas cerca de 45.600 pessoas (6 mil crianças, 22 mil jovens, 12 mil portadores de doenças crônicas, 3 mil profissionais da saúde e 2,6 mil grávidas). Espelho do que ocorre no País, no grupo de jovens entre 20 e 29 anos, menos da metade se imunizou: a população-alvo soma 56 mil jovens.
Não se entende a resistência para se tomar a vacina, a única segurança contra uma gripe mortal como a H1N1, principalmente nos grupos que mais preocupam, que são as grávidas e os jovens. A campanha de motivação e esclarecimento toma conta das emissoras de rádio, TV, jornais e revistas, além da Internet. Porém, crendices e tabus ainda envolvem a vacina contra a gripe suína, frustrando as autoridades de saúde que trabalham no sentido de tornar o País livre desta doença. Entre junho e novembro do ano passado a gripe H1N1 contaminou 56 pessoas em Franca. No mesmo período, foram registradas três mortes no município: dois homens de 50 e 56 anos e uma grávida de 22 anos.
A pergunta que se faz, olhando o resultado frustrante, é: Que medo é esse? Tem sido aventada a hipótese de que uma corrente que circula pela Internet, divulgando dados mentirosos com o fim único de apavorar a população menos esclarecida, tenha amedrontado os que a ela tiveram acesso. Pode fazer algum sentido e explicar alguma coisa, mas não o número tão aquém ao almejado pelas autoridades de saúde. O déficit lembra mais atitudes de atraso no final do século 19 e começo do 20, quando a vacinação em massa era vista com bastante reserva e recebida até com violência em algumas localidades, pois percebida como nociva.
Estamos em pleno século XXI, vivendo o chamado terceiro milênio, na era da tecnologia e das maiores conquistas no campo da medicina. Por isso não se entendem os baixos índices apresentados pelo Ministério da Saúde para a vacinação contra uma gripe que deixou dezenas de milhares de mortos no mundo todo.
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