Investigação sobre padre Dé está nas mãos de promotor


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INVESTIGADO - O padre José Afonso Dé se disse inocente em entrevista coletiva logo após ser denunciado pela Polícia Civil
INVESTIGADO - O padre José Afonso Dé se disse inocente em entrevista coletiva logo após ser denunciado pela Polícia Civil

O inquérito policial com  denúncias de abuso sexual contra o padre José Afonso Dé será analisado pelo promotor de Justiça José Lourenço Alves, da 2ª Vara Criminal de Franca. Ele terá 15 dias para decidir se denuncia o religioso, arquiva o processo ou manda o inquérito de volta para a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para esclarecimento e nova juntada de provas.


Se decidir denunciar padre Dé, o promotor pode seguir a sugestão proposta pelo inquérito realizado pela delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio e acusá-lo pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. "Mas ele também pode decidir denunciá-lo por outro crime, que não os citados por mim", explicou a delegada.
O inquérito foi protocolado no cartório distribuidor do Fórum de Franca na última sexta-feira. Ontem, após sorteio eletrônico pelos computadores do Tribunal de Justiça em São Paulo, o processo foi encaminhado para a 2ª Vara Criminal e hoje deve chegar às mãos de José Lourenço Alves. Após o prazo de 15 dias, o processo deve ser encaminhado ao juiz da mesma vara, Wagner Carvalho Lima, que pode ou não acolher a denúncia.


O CASO
Padre José Afonso Dé foi indiciado na semana passada pela Polícia Civil após três semanas de investigações. No inquérito de cerca de 70 páginas, estão os testemunhos de 22 pessoas entre vítimas, padres e o bispo diocesano de Franca Dom Pedro Luiz Stringhini. O religioso acusado foi o último a ser ouvido na segunda-feira da semana passada e alegou ser inocente de todas as acusações.


O caso foi denunciado à DDM pelo Conselho Tutelar. No dia 24 de março, quatro meninos com idades entre 12 e 17 anos afirmaram à delegada terem sido vítimas de abuso sexual por padre Dé. Eles contaram que nos meses de janeiro e fevereiro, sempre às quintas-feiras após a missa das 15 horas, eles foram convidados para tomar café da tarde na casa do vigário, no Jardim Tropical. No local, de acordo com os garotos, o religioso passou as mãos em suas pernas e órgãos genitais.


Além do grupo de jovens que fez a primeira denúncia, outras vítimas surgiram durante as investigações. A delegada ouviu ainda outros dois menores e dois maiores - que declararam terem sido abusados pelo padre em 1996 e 2002.
Seis padres de diferentes paróquias também foram intimados a dar explicações à polícia. Eles foram citados pelos menores como conhecedores das denúncias. "Os meninos disseram que procuraram os párocos e contaram o que havia acontecido, mas eles nada fizeram", disse Graciela ao decidir chamar os padres à DDM.

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