Justiça concede reintegração de posse e MST deixa área invadida


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MUDANÇA - Sem-terra descansam em barraco de lona enquanto aguardam o ônibus para ir embora e ao fundo colchões são colocados em cima de carro para ser transportado para nova área
MUDANÇA - Sem-terra descansam em barraco de lona enquanto aguardam o ônibus para ir embora e ao fundo colchões são colocados em cima de carro para ser transportado para nova área

Os membros do MST (Movimento dos Sem-Terra) deixaram, na tarde de ontem, a área invadida em Nuporanga, a 12 quilômetros de São José da Bela Vista. A propriedade, que pertence a uma empresa de agropecuária já falida de Nuporanga, foi ocupada por aproximadamente 200 pessoas na madrugada de sábado. A reintegração de posse foi concedida aos proprietários na tarde do mesmo dia, mas foi cumprida somente ontem depois que as reivindicações dos sem-terra foram atendidas. No começo da tarde, oitenta pessoas ainda permaneciam no local, já que muitas apenas deram apoio na ocupação.


Segundo o advogado do MST, Tony Rocha, o movimento solicitou dois ônibus para o transporte das famílias, cestas básicas e lona (usada para a montagem dos barracos). “Como as reivindicações foram atendidas, achamos melhor fazer um recuo estratégico porque se tornou desfavorável ficar na área depois que a reintegração de posse foi emitida”. As famílias foram enviadas para um acampamento próximo à capital que existe há dois anos e hoje tem quase 200 famílias. “Eles devem ficar no local por uns 15 dias até ocuparem uma nova área”, disse Rocha.


ABRIL VERMELHO
O representante do MST na região, Nédito Silva, disse que o movimento acompanha a situação de cinco fazendas na região de Franca e pode ocupá-las a qualquer momento. “No Abril Vermelho vamos fazer ações pelo Brasil inteiro. Na região de Franca, por exemplo, tem várias áreas que estão com problemas e já pedimos ao Incra que faça uma vistoria na região inteira. A gente vê toda essa região tomada pela cana, mas ainda tem muita área produtiva que não está sendo explorada. Essa ocupação foi estratégica para chamar o Incra para esta região”.


A ocupação da área causou surpresa aos proprietários do terreno, que tem 24 alqueires. “Nunca tivemos este problema. Logo que eles entraram os vigias da antiga destilaria - que fica no local - nos avisaram e acionamos a Polícia. No sábado mesmo conseguimos reintegração de posse”, disse Roberta Melo, que representa os donos do terreno. Na tarde de ontem, ela se encontrou com o advogado do MST no Fórum de Nuporanga e firmou o acordo para que as famílias deixassem a área. A saída aconteceu por volta das 16 horas de forma pacifica e sem a presença da polícia.

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