MST invade área de usina em Nuporanga


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SEM-TERRA - Integrante do MST ao lado da bandeira do movimento no acampamento montado pelo grupo em Nuporanga
SEM-TERRA - Integrante do MST ao lado da bandeira do movimento no acampamento montado pelo grupo em Nuporanga

Depois de dois anos e meio de “calmaria”, os integrantes do MST (Movimento dos Sem-Terra) voltaram a agir na região de Franca. Na madrugada deste sábado, um grupo de aproximadamente 200 pessoas ocupou uma área em Nuporanga que pertence a uma usina de destilaria desativada. A concentração aconteceu em Restinga, de onde saíram quatro ônibus e 20 carros com famílias de Restinga, Ribeirão Preto e Orlândia. Junto estava o advogado Tony Rocha, que representa o MST.


Nédito Silva, assentado na Fazenda Boa Sorte em Restinga e porta-voz do grupo, disse que o MST sondava a fazenda há oito meses. “Levantamentos algumas informações sobre a empresa que está em processo de falência desde 1994 e não estão usando a área. Então começamos a cadastrar as famílias para a ocupação e não pretendemos sair daqui. Já entramos em contato com o Incra e vamos aguardar eles mandarem alguém”, disse Silva, que não soube informar o tamanho da área ocupada.


Ainda segundo ele, nenhum representante da empresa esteve no local no sábado para reivindicar a saída do grupo. A Polícia de Nuporanga foi acionada por representantes da usina, mas não passou informações sobre a empresa. “A polícia esteve aqui por volta das 6 horas da manhã, mas logo foi embora”, disse Silva.


Os sem-terra chegaram ao local por volta das 4 horas da manhã e já começaram a montar os barracos com lona preta. Por volta das 11 horas, oito já estavam montados - de um total de 15 que serão levantados. A área ocupada pelos sem-terra não tem árvores, o que aumenta ainda mais o calor, e a água fica distante. Uma das barracas foi usada para cozinha. Depois do almoço boa parte dos integrantes foi dormir nos barracos.


Entre os ocupantes estava Amir Silva, 65, que entrou para o movimento há seis anos. “Já estive em Ribeirão Preto, Orlândia e na Fazenda Boa Sorte. Ainda não consegui um lote, mas não vou desistir. Se não der aqui vou para outro lugar”. Valter Gino, 50, deixou a família em Franca para seguir o grupo. “Se der certo, trago a minha família”, disse Valter, que há seis anos deixou de dirigir caminhão para seguir o MST.


O advogado do MST, Tony Rocha, acredita que os proprietários da área entrarão com reintegração de posse na próxima semana. “Estamos esperando por isso. Mas vamos continuar aqui, porque a área tem possibilidades de se transformar em uma assentamento devido ao estado de endividamento da empresa”.


NOVAS INVASÕES
Nédito Silva disse que o MST está avaliando outras cinco fazendas nos municípios de São José da Bela Vista, São Joaquim da Barra e Serra Azul. “Ainda estamos analisando. Inclusive uma destas fazendas já invadimos duas vezes e vamos ocupar novamente”.

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