No Congresso Nacional tramita o projeto de Lei 552/7 proposto pelo senador Gerson Camata (PMDB/ES), criando a castração química de criminosos pedófilos condenados por estupro e corrupção de menores até quatorze anos. Hormônios femininos injetados nos testículos inibiriam o desejo sexual, levando à impotência para o ato sexual em caráter definitivo. Seria aplicada como escolha voluntária do condenado que teria, com isso, redução da pena em um terço. Vem sendo aplicada em alguns estados norte-americanos e em países da Europa.
Para Genilda Araújo, coordenadora do SOS Criança, 'a questão do desejo na pedofilia não está completamente clara. Há vários fatores envolvidos nesse desejo, como a relação de poder. Não tenho elementos para concordar ou discordar. O certo é que o pedófilo precisa ser tratado. Tratamos do violado e esquecemos do violador. Não sei como deve ser tratado, mas o pedófilo é um doente, apresenta um comportamento anômalo'. A questão é grave mas, torna-se mais aguda quando ocorrências do tipo se dão por mãos que deveriam instruir e proteger, fazendo crer que Herodes continua vivo.
Nas sacristias, nos palácios e nas favelas a democratização da violência continua fazendo suas vitimas. Se as aparências continuam não enganando, a sociedade não está preocupada em resolver. Basta o sensacionalismo. Bastam as fofocas que deságuam na banalização do problema. E o hediondo continua debaixo do sol, nas nossas barbas, nas esquinas e nas praças.
Nas praças de Franca alguns pedófilos e pedófilas, acobertados pelo anonimato aliciam crianças e adolescentes para a prostituição e mais se parecem com pais e mães apressados no trânsito, buscando-os depois de aulas extracurriculares. Por ora, julgar a Igreja Católica e seus padres já satisfaz a voracidade da fofoca.
Está provado que existem pedófilos não só nas sacristias, mas também nos lares, consultórios, escritórios,e até nas escolas. O bispo auxiliar de Aracaju (SE) fez circular na internet considerações corajosas: "Há sim, na Igreja, sacerdotes pedófilos. É triste é vergonhoso, mas é verdade. Eles não estão nela porque a Igreja os promove... Há sacerdotes pedófilos, como há pastores evangélicos pedófilos, pais de família pedófilos, professores pedófilos, juízes pedófilos, médicos, psicólogos, militares e jornalistas pedófilos...
Não podemos nos esquecer de que o mundo não está preocupado com o bem da Igreja ou das vitimas de pedofilia, mas com o escândalo e a imposição hipócrita do politicamente correto', diz ele.
Em que pese atores sociais, agentes políticos e a sociedade civil de prontidão, esse enredo está muito longe de caminhar para o seu 'grand finale'.
O protagonismo infanto-juvenil foi castrado e devolvê-lo é missão e dever de toda a sociedade. Dá pra mudar esse enredo sim, melhorar o cenário, ensaiar melhor os atores. E, já que não podemos mudar os atos passados que foram um fracasso, podemos sim, construir juntos esse 'grand finale' sob as luzes de um sol de justiça! Por isso creio que castrar não é a solução.
Maria Ignez Tosello Archetti
Presidente da Comissão sobre Abuso Sexual e Prostituição Infanto-Juvenil da Câmara de Franca
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