Meninas ainda, minhas amiguinhas e eu refletíamos sobre nascimentos. Em sua inocência, dizia-nos uma: “Acho que antes de nascer somos anjos de asas enormes, muito pequenos e muito gulosos. Comemos nuvens. Nuvens de todas as cores e sabores. Quanto mais comemos e crescemos, menores ficam nossas asas. Assim, pesados e de asinhas curtas, é difícil continuarmos no céu. Quando as asas finalmente somem, caímos na Terra, nascemos aqui”. Falava isso com um brilho especial nos olhos e um sorriso confiante nos lábios. E eu ouvia suas palavras entre alvoradas e pores de sol, entre algodões doces flutuantes que iam do pálido róseo e do branco mais puro ao exuberante lilás, do azul-verde suave ao prata e ao ouro luminosos. Experimentava nelas sabores celestiais. Mas não podia deixar de pensar na perda das asas e na queda.
Hoje, minha porção menina se permite refletir sobre a morte. Faz também suas conjecturas. Imagina que a vida na Terra nos provê de novas asas, igualmente invisíveis aos olhos humanos. A princípio pequeníssimas, elas crescem à medida que buscamos o Bom e o Belo e, mais ainda, quando somos capazes de compartilhá-los. Assim, quanto maiores as asas cultivadas, mais alto o plano atingido no voo final. Nos primeiros róseos do último dia 30, um enorme par de asas se abriu em voo amplo e suave, deixando entre nós certezas e exemplos e levando consigo essências preciosas: o esposo, o pai, o avô... o advogado, o professor, o escritor... Levando o homem e o intelectual Alfredo Palermo entre algodões flutuantes de muitas cores e infinitos e imaculados azuis.
Hoje, minha porção menina se permite refletir sobre a morte. Faz também suas conjecturas. Imagina que a vida na Terra nos provê de novas asas, igualmente invisíveis aos olhos humanos. A princípio pequeníssimas, elas crescem à medida que buscamos o Bom e o Belo e, mais ainda, quando somos capazes de compartilhá-los. Assim, quanto maiores as asas cultivadas, mais alto o plano atingido no voo final. Nos primeiros róseos do último dia 30, um enorme par de asas se abriu em voo amplo e suave, deixando entre nós certezas e exemplos e levando consigo essências preciosas: o esposo, o pai, o avô... o advogado, o professor, o escritor... Levando o homem e o intelectual Alfredo Palermo entre algodões flutuantes de muitas cores e infinitos e imaculados azuis.
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Eny Miranda Médica e poeta |
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