Lá pelas 5 da tarde, da calçada de minha casa podiam-se ver os vagões da Mojiana cortando, bem no alto da Estação, a Rua General Teles com seu ruído característico: tatac, tatac, tatac, tatac.
À noite, entre 8 e 9 horas, a gente escutava com muita clareza o som do serviço de alto-falante do bairro da Estação, o Zig-Zag , que, aproximando os corações apaixonados, além das propagandas, anunciava:
– Afrânio oferece, de todo o seu coração, para a encantadora Doroty, esta música de Nelson Gonçalves.
E a Deusa da minha rua e outras músicas mais rodavam na velha vitrola com uma limpidez de fazer inveja a certas emissoras radiofônicas atuais.
De manhã, entre 7 e 8 horas, o apito da maria-fumaça, que vinha de Uberaba, ajudava-nos a despertar de mais uma boa noite de sono.
Às 11 horas, as sirenes das fábricas lembrava-nos do almoço.
Durante a minha infância, eu me acostumei com esses sons. Eles não importunavam. Eles marcavam o ritmo de nossas vidas.
O som das sirenes das fábricas anunciava a hora sagrada do descanso e da refeição. Era bem diferente desses alarmes escandalosos que não param de berrar, apregoando, se tanto, a invasão de alguma casa.
A rolagem do trem sobre os trilhos de ferro não atormentava como o fluxo do trânsito de automóveis e caminhões com o ronco de seus motores, suas escandalosas freadas e suas estridentes buzinas.
O nostálgico som do Zig-Zag não se pode comparar com os carros que circulam pelas nossas ruas levando a todo canto o seu barulho desagradável ou, ainda, as bandas de rock pesado que, vez por outra, tomam conta de nossas madrugadas.
Porém, nem tudo está perdido. Ainda se pode ouvir, rompendo a zoeira geral e infernal, o badalar dos sinos da Catedral chamando-nos para as vésperas. Preste atenção, prezado leitor, preste atenção no toque dos sinos. Ele vem com o sopro dos ventos e inunda a nossa alma de paz e tranquilidade. Deixe que este som apodere-se de você e não ouvirá mais barulho nenhum a não ser o murmúrio de uma prece.
À noite, entre 8 e 9 horas, a gente escutava com muita clareza o som do serviço de alto-falante do bairro da Estação, o Zig-Zag , que, aproximando os corações apaixonados, além das propagandas, anunciava:
– Afrânio oferece, de todo o seu coração, para a encantadora Doroty, esta música de Nelson Gonçalves.
E a Deusa da minha rua e outras músicas mais rodavam na velha vitrola com uma limpidez de fazer inveja a certas emissoras radiofônicas atuais.
De manhã, entre 7 e 8 horas, o apito da maria-fumaça, que vinha de Uberaba, ajudava-nos a despertar de mais uma boa noite de sono.
Às 11 horas, as sirenes das fábricas lembrava-nos do almoço.
Durante a minha infância, eu me acostumei com esses sons. Eles não importunavam. Eles marcavam o ritmo de nossas vidas.
O som das sirenes das fábricas anunciava a hora sagrada do descanso e da refeição. Era bem diferente desses alarmes escandalosos que não param de berrar, apregoando, se tanto, a invasão de alguma casa.
A rolagem do trem sobre os trilhos de ferro não atormentava como o fluxo do trânsito de automóveis e caminhões com o ronco de seus motores, suas escandalosas freadas e suas estridentes buzinas.
O nostálgico som do Zig-Zag não se pode comparar com os carros que circulam pelas nossas ruas levando a todo canto o seu barulho desagradável ou, ainda, as bandas de rock pesado que, vez por outra, tomam conta de nossas madrugadas.
Porém, nem tudo está perdido. Ainda se pode ouvir, rompendo a zoeira geral e infernal, o badalar dos sinos da Catedral chamando-nos para as vésperas. Preste atenção, prezado leitor, preste atenção no toque dos sinos. Ele vem com o sopro dos ventos e inunda a nossa alma de paz e tranquilidade. Deixe que este som apodere-se de você e não ouvirá mais barulho nenhum a não ser o murmúrio de uma prece.
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Chiachiri Filho é historiador, criador e diretor por oito anos do Arquivo municipal e membro da Academia Francana de Letras |
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