Se comparássemos a correria de nossos dias a um semáforo, com certeza afirmaríamos que a luz verde está permanentemente acesa. Parece não haver momentos de trégua, a não ser aquelas minguadas horas de um feriado, sábado ou domingo. Mesmo assim, nesses momentos, o professor corrige provas ou prepara aulas, o pedreiro levanta mais alguns metros de parede, o padeiro continua a alimentar a população, o executivo aprimora seu discurso para a segunda-feira, os políticos se reúnem e a dona de casa... Bem, essa não tem folga nunca!
Mas não é só a falta de tempo que nos preocupa. É também a pressa. Perdemos a capacidade de esperar pacientemente. Queremos resultados práticos... Para já! Já se tornou comum o brevíssimo diálogo: “E aí, tudo bem?” “Aquela correria, rapaz!”
O que se diz ser a grande desgraça do final do século passado e a primeira década deste terceiro milênio é exatamente a falta de tempo. Estamos sempre procurando meios de fazer mais rápido as nossas tarefas. Usos e costumes sociais cristalizados ao longo de séculos mudaram num piscar de olhos: já não mais se namora, ficam-se noivos e se casa: apenas fica-se, e nesse ficar de uma semana, todos os bônus do casamento... Sem ônus da casa, carro, trabalho, cumplicidade conjugal! E logo se troca de par. Não mais um curso completo superior de graduação: faz-se um curso seqüencial em dois anos com a desculpa da necessidade de se preparar rapidamente para a demanda do mercado de trabalho.
É a nossa consciência, e não o amor desinteressado pela ciência e certamente não a sabedoria, que nos leva a dedicar uma proporção tão grande do engenho e da renda de nossas sociedades a descobrir meios mais rápidos de fazer as coisas como se o objetivo final da humanidade fosse aproximar-se não de um humanismo perfeito, mas de um relâmpago perfeito.
Bush estava impaciente para atacar o Iraque. Obama está impaciente para tomar o lugar do Brasil na reconstrução do Haiti. Os petistas estão impacientes para se definir o quadro de candidatos à presidência deste ano. Estamos impacientes para chegar logo a Copa do Mundo... Aqui no Brasil! O adolescente está impaciente para adquirir sua carta de habilitação. A gordinha está impaciente por perder aqueles quilinhos de gordura na cintura, andando mais depressa na sua caminhada diária. O motorista está impaciente com o modo de dirigir do motorista a sua frente. Os corintianos estão impacientes para ver seu timão completo, com Roberto Carlos e Ronaldo atuando juntos. O fiel está impaciente diante da missa dominical...
Sinal dos tempos?
Não sei. Sei apenas que a impaciência existe, a falta de tempo é premente, a pressão arterial sobe, a qualidade de vida desmorona... E a velocidade das etapas do nosso cotidiano anda muito mais rápido que a urdidura das tramas de Dan Brown... E o pobre ser humano se esquece de algo óbvio: a tensão, a pressa é interior, porque o sol não se adianta, o dia tem precisas 24 horas, há dia para trabalhar e noite para dormir, ainda há tempo de semear, esperar e colher... A natureza está lá, em seu lugar, e vem o homem modificá-la, ora com um estúpido horário de verão, ora com o aquecimento global. E se esquece novamente que as catástrofes naturais são a mais pura resposta da natureza ante o desrespeito do homem ao meio.
Precisamos nos tornar impacientes com a nossa própria impaciência, e aceitar, de uma vez por todas, o óbvio milenar: tudo a seu tempo, hora e lugar. Antecipar o fato é preocupar-se com ele, ou seja, viver em permanente estado de pré-ocupação, preocupado.
Observo um gato que se espreguiça no tapete e me lança um olhar querendo dizer: “Sossega, velhinho!” Talvez por isto os gatos tenham sete vidas.
Mas não é só a falta de tempo que nos preocupa. É também a pressa. Perdemos a capacidade de esperar pacientemente. Queremos resultados práticos... Para já! Já se tornou comum o brevíssimo diálogo: “E aí, tudo bem?” “Aquela correria, rapaz!”
O que se diz ser a grande desgraça do final do século passado e a primeira década deste terceiro milênio é exatamente a falta de tempo. Estamos sempre procurando meios de fazer mais rápido as nossas tarefas. Usos e costumes sociais cristalizados ao longo de séculos mudaram num piscar de olhos: já não mais se namora, ficam-se noivos e se casa: apenas fica-se, e nesse ficar de uma semana, todos os bônus do casamento... Sem ônus da casa, carro, trabalho, cumplicidade conjugal! E logo se troca de par. Não mais um curso completo superior de graduação: faz-se um curso seqüencial em dois anos com a desculpa da necessidade de se preparar rapidamente para a demanda do mercado de trabalho.
É a nossa consciência, e não o amor desinteressado pela ciência e certamente não a sabedoria, que nos leva a dedicar uma proporção tão grande do engenho e da renda de nossas sociedades a descobrir meios mais rápidos de fazer as coisas como se o objetivo final da humanidade fosse aproximar-se não de um humanismo perfeito, mas de um relâmpago perfeito.
Bush estava impaciente para atacar o Iraque. Obama está impaciente para tomar o lugar do Brasil na reconstrução do Haiti. Os petistas estão impacientes para se definir o quadro de candidatos à presidência deste ano. Estamos impacientes para chegar logo a Copa do Mundo... Aqui no Brasil! O adolescente está impaciente para adquirir sua carta de habilitação. A gordinha está impaciente por perder aqueles quilinhos de gordura na cintura, andando mais depressa na sua caminhada diária. O motorista está impaciente com o modo de dirigir do motorista a sua frente. Os corintianos estão impacientes para ver seu timão completo, com Roberto Carlos e Ronaldo atuando juntos. O fiel está impaciente diante da missa dominical...
Sinal dos tempos?
Não sei. Sei apenas que a impaciência existe, a falta de tempo é premente, a pressão arterial sobe, a qualidade de vida desmorona... E a velocidade das etapas do nosso cotidiano anda muito mais rápido que a urdidura das tramas de Dan Brown... E o pobre ser humano se esquece de algo óbvio: a tensão, a pressa é interior, porque o sol não se adianta, o dia tem precisas 24 horas, há dia para trabalhar e noite para dormir, ainda há tempo de semear, esperar e colher... A natureza está lá, em seu lugar, e vem o homem modificá-la, ora com um estúpido horário de verão, ora com o aquecimento global. E se esquece novamente que as catástrofes naturais são a mais pura resposta da natureza ante o desrespeito do homem ao meio.
Precisamos nos tornar impacientes com a nossa própria impaciência, e aceitar, de uma vez por todas, o óbvio milenar: tudo a seu tempo, hora e lugar. Antecipar o fato é preocupar-se com ele, ou seja, viver em permanente estado de pré-ocupação, preocupado.
Observo um gato que se espreguiça no tapete e me lança um olhar querendo dizer: “Sossega, velhinho!” Talvez por isto os gatos tenham sete vidas.
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Everton de Paula é professor, escritor, conferencista. Fundador e membro da Academia |
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