Tia Amélia, nos seus quase 100 anos de idade, conserva ainda alguns traços da mulher loura, miúda e bonita que fora um dia.
Gesto de olhar para as mãos de tia Amélia, dedos delgados, bem feitos. E os pés, ah, os pés! Redondinhos e brancos foram sempre assim. Jussara é a manicure gracinha que a cada semana cuida daqueles pés e mãos em unhas pintadas de vermelho como ela sempre gostou.
Domingo ultimo visitei tia Amélia que me beijou as mãos como faz em algumas vezes. Mas o olhar estava distante, até que perguntou:
- Quem é a senhora?
Respondi e brinquei com ela tentando fazê-la rir, mas só vi indiferença. Então, o que me veio à cabeça foi cantar músicas dos tempos idos e vividos na sua querida Ribeirão Corrente.
“ Ó jardineira, por que estás tão triste...”
“Um pierrô apaixonado, que vivia só cantando...”
Tia Amélia sorriu e balbuciou:
– Saudade.
Na sala estavam também minha irmã e duas funcionárias. Juntas formamos um desafinado coral de Carnaval e serenata.
“Tu não te lembras da casinha pequenina...”
“Neste mundo eu choro a dor...”
Foi quando ficamos arrepiadas porque tia Amélia cantou com voz fraquinha, mas cantou.
Emocionada, mas querendo continuar o sarau, cheguei bem ao pé do seu ouvido e sem nem mesmo pensar, perguntei:
– Qual o nome do seu primeiro namorado? Para minha surpresa, ela respondeu:
– Vitoriano.
– E o nome do seu marido?
– Jamil.
E de novo sussurrou:
– Saudade!
Pouco depois, tia Amélia adormeceu. Logo despertou e fixando o olhar num ponto qualquer perguntou outra vez:
– Quem é a senhora?
Gesto de olhar para as mãos de tia Amélia, dedos delgados, bem feitos. E os pés, ah, os pés! Redondinhos e brancos foram sempre assim. Jussara é a manicure gracinha que a cada semana cuida daqueles pés e mãos em unhas pintadas de vermelho como ela sempre gostou.
Domingo ultimo visitei tia Amélia que me beijou as mãos como faz em algumas vezes. Mas o olhar estava distante, até que perguntou:
- Quem é a senhora?
Respondi e brinquei com ela tentando fazê-la rir, mas só vi indiferença. Então, o que me veio à cabeça foi cantar músicas dos tempos idos e vividos na sua querida Ribeirão Corrente.
“ Ó jardineira, por que estás tão triste...”
“Um pierrô apaixonado, que vivia só cantando...”
Tia Amélia sorriu e balbuciou:
– Saudade.
Na sala estavam também minha irmã e duas funcionárias. Juntas formamos um desafinado coral de Carnaval e serenata.
“Tu não te lembras da casinha pequenina...”
“Neste mundo eu choro a dor...”
Foi quando ficamos arrepiadas porque tia Amélia cantou com voz fraquinha, mas cantou.
Emocionada, mas querendo continuar o sarau, cheguei bem ao pé do seu ouvido e sem nem mesmo pensar, perguntei:
– Qual o nome do seu primeiro namorado? Para minha surpresa, ela respondeu:
– Vitoriano.
– E o nome do seu marido?
– Jamil.
E de novo sussurrou:
– Saudade!
Pouco depois, tia Amélia adormeceu. Logo despertou e fixando o olhar num ponto qualquer perguntou outra vez:
– Quem é a senhora?
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Farisa Moherdaui é professora aposentada |
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