Li que 'O combate pela hegemonia requer uma pluralidade de canais de atuação informais e aparentemente desligados de toda a política através dos quais se possa ir injetando imperceptivelmente na mentalidade popular toda uma gama de novos sentimentos, de novas reações, de novas palavras, de novos hábitos, que aos poucos vai mudando o eixo da conduta'.
O texto está no livro A Nova Era e a Revolução Cultural, Capítulo II, do filósofo Olavo de Carvalho. Ele afirma que ocorre desde muito tempo no Brasil, uma operação imperceptível de lavagem cerebral coletiva que de tão sutil, ninguém nota.
É exatamente como manda a cartilha de Antonio Gramsci, ou seja, uma 'agressão molecular' onde, sem muito barulho, sem confronto político/ideológico aberto, vai se penetrando no fundo do senso comum e novas idéias, novos valores, novas palavras vão modificando as consciências e o povo passa a achar tudo 'normal'. O que se ouve atualmente é: 'os tempos mudaram'; 'é a modernidade que revirou o mundo de cabeça para baixo'!
Não é o tempo que mudou, nem muito menos a modernidade. Tudo isso faz parte de uma 'agenda' organizada no Brasil há mais de setenta anos e que agora atinge seu ápice.
O brasileiro tem muito que lamentar. Principalmente quando se trata do desprezo pelos livros e pela pesquisa. Se assim não fosse, algo já teria acontecido com essa gente que tenta cercear as liberdades individuais e sepultar o Estado Democrático de Direito. Morto já está, só falta colocá-lo na cova. Conseguiram calar com cargos e nomeações qualquer oposição. A nomenclatura está quase pronta, mais dois mandatos e o Brasil se transforma em Cuba e Venezuela.
Semana passada assistimos assombrados a declarações do Presidente acerca do Judiciário. Os políticos não podem ficar à mercê dos juízes, nem seus destinos saltando de tribunal em tribunal. Foi mais ou menos essa a desastrosa declaração de Lula no Congresso do Partido Comunista do Brasil.
Essa é uma pequena amostra do que querem para o Brasil. Acabar com o Judiciário, a instituição que assegura que o País não tem soberano, que todos são iguais perante a lei. Ainda que seja Sua Santidade, o Presidente Lula e todos os santos e heróis do panteão comunista brasileiro ninguém está acima da lei. A tripartição de poderes está vigendo.
Há uma frase que diz: 'Quanto menos um homem é apto a enxergar o mundo, mais assanhado fica de transformá-lo à imagem e semelhança de sua escuridão interior'. O capitalismo selvagem promove desigualdades e pobreza, o comunismo acaba com as liberdades individuais, com a autodeterminação, com a propriedade e com os valores mais caros que a humanidade construiu durante milênios.
É justo que se admita que esse modelo de Estado está longe de ser aquele capaz de atender a todas as necessidades sociais, todavia, o modelo que querem implantar no Brasil 'pertence ao cemitério da História', produziu mais de cem milhões de mortos, e destruição ambiental sem precedentes.
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora
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