O padre José Afonso Dé, 74, vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical em Franca, voltou a negar ontem, durante entrevista coletiva à imprensa, as acusações de estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude, crimes pelos quais foi indiciado na última segunda-feira pela delegada Graciela Ambrósio.
Aparentando tranquilidade, o padre atendeu os jornalistas no escritório dos seus advogados, no Centro da cidade. Reafirmou que seu modo afetivo pode ter contribuído para uma má interpretação dos seus beijos e abraços. “Na minha cabeça, depois que eu fiz um bom exame de consciência, não tem outra coisa a não ser essa, interpretar o meu modo de ser e o meu modo de agir”, disse o padre.
Ao lado dos advogados (Eduardo Caleiro Palma, Cynthia Dias Milhim e José Chiachiri Neto), padre Dé respondeu a todos os questionamentos e explicou como surgiu a brincadeira batizada de “pirulito”. Nos depoimentos prestados à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), as vítimas, meninos de 13 a 16 anos, disseram que o sacerdote pegava em seus órgãos genitais por cima da roupa e dizia “Olha o pirulito”.
Segundo o religioso, o nome surgiu em homenagem ao palhaço Pirulito e era a forma como se dirigia aos garotos. “Antigamente brincava com as pessoas quando não sabia o nome, chamando de macaco. Depois houve a lei, que diz ser um desrespeito, então parei. Como gostava muito do palhaço Pirulito, que fazia a gente rir e se alegrar, então passei a chegar perto e falar Pirulito, não só para coroinhas, mas para todo mundo e não pegava no órgão genital”.
Durante a coletiva, o padre segurou por repetidas vezes o crucifixo que carregava no pescoço, citou versículos bíblicos e disse que seu “futuro está nas mãos de Deus”. Ele não se mostrou preocupado com a possibilidade de ser condenado pelo Vaticano a deixar a batina. Na terça-feira o bispo diocesano Dom Pedro Luiz Stringhini confirmou com exclusividade ao GCN Comunicação que comunicará o caso à Nunciatura Apostólica, responsável pela abertura do processo canônico. Ser for considerado culpado, o padre perde a ordem e é obrigado a deixar o sacerdócio. “Nunca vou deixar de ser padre, padre é caráter e o sacerdócio é eterno”, respondeu.
Desde o começo das investigações, padre Dé está afastado das funções na igreja e não pode deixar a Diocese de Franca. Para seus advogados, o afastamento das celebrações determinado pelo bispo tem feito o sacerdote viver dias de “prisão domiciliar”. “Ele está na casa de amigos e obediente às determinações do bispo. Por conta da situação, também tem evitado sair. Para um padre, acredito que ficar sem celebrar as missas já é um castigo”, disse o advogado Eduardo Caleiro.
Indagado se pediria perdão às vítimas, Dé disse que todo padre deve pedir perdão, porém naquela hora não era a ocasião. Antes de encerrar a entrevista, falou sobre sua vocação, dos padres que ajudou a ordenar, dos filhos adotivos e afirmou não sentir desejo sexual. “Fui operado da próstata e na operação feriram a uretra, por isso faz mais de cinco anos que não tenho desejo sexual e nem ereção. Nunca desejei nada com homem, mulher ou menino”.
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