Nunca fui bom aluno em química. Prestava mais atenção mesmo era nas belas pernas torneadas da vizinha de casa. Daí as notas lá em baixo e o desejo lá em cima!
Assim fui adolescendo. Tímido que era, quando pensei em conquistá-la, ela já estava namorando um rapaz mais ousado. Foi a primeira de muitas outras decepções amorosas.
Por natureza ou não, minha timidez deve ter sido acentuada pela doutrinação rígida religiosa de dez anos em colégio católico dos Irmãos Maristas. Lógico que o lado moral de formação do caráter e princípios de homem de bem foram professados pela respeitada Irmandade. Mas com missa obrigatória todos os domingos, orações diárias antes de começar a primeira aula, quatro aulas de religião por semana, ensaios de cantos orfeônicos após as aulas, só fui falar “puta que pariu” quase aos dezoito anos de idade.
Falei e gostei. Ah! Como era bom poder falar nome feio sem ser repreendido pelos padres.
Veio a primeira namorada, o primeiro beijo, a noite mal dormida com a impressão de que enfim o amor aflorava. No dia seguinte já me sentia mais homem, imaginem : eu tinha beijado uma garota na boca ! Depois veio a faculdade em Campo Grande. Estudar e morar fora de casa.
Deixei a namoradinha firme em Ribeirão e fui perder a timidez a mil quilômetros de distância. Continuei o namoro por cartas. Com as outras, por meio de abraços e beijos. Foram muitas, todas bem mais novas que eu. Após formado e doze anos depois de namoro com a primeira namoradinha, sim, aquela do primeiro beijo, casamo-nos. Dez anos depois, o desgaste e naturalmente a separação.
Dois meses após, saboreando um pastel de queijo em uma lanchonete, vejo andando pela calçada uma menina que eu estimei tivesse uns quinze anos. Na realidade tinha vinte e um; eu, quarenta e um. Olhei-a acompanhando estupefato seu andar bamboleante. O pastel ficou parado entre os lábios, a boca entreaberta, faltando a mordida. O pastel parou e o coração disparou. Era ela, a mulher da minha vida . Acabava de passar diante dos meus olhos. De lá para cá são dezoito anos vividos apaixonadamente...
Até hoje olho em seus olhos e me emociono, ouço sua voz e me enterneço, sigo seus passos e encontro meu caminho, beijo seus lábios e renasço para a vida !
Ainda bem que no colégio os Irmãos Maristas não proibiam de comer pastel de queijo no recreio.
Assim fui adolescendo. Tímido que era, quando pensei em conquistá-la, ela já estava namorando um rapaz mais ousado. Foi a primeira de muitas outras decepções amorosas.
Por natureza ou não, minha timidez deve ter sido acentuada pela doutrinação rígida religiosa de dez anos em colégio católico dos Irmãos Maristas. Lógico que o lado moral de formação do caráter e princípios de homem de bem foram professados pela respeitada Irmandade. Mas com missa obrigatória todos os domingos, orações diárias antes de começar a primeira aula, quatro aulas de religião por semana, ensaios de cantos orfeônicos após as aulas, só fui falar “puta que pariu” quase aos dezoito anos de idade.
Falei e gostei. Ah! Como era bom poder falar nome feio sem ser repreendido pelos padres.
Veio a primeira namorada, o primeiro beijo, a noite mal dormida com a impressão de que enfim o amor aflorava. No dia seguinte já me sentia mais homem, imaginem : eu tinha beijado uma garota na boca ! Depois veio a faculdade em Campo Grande. Estudar e morar fora de casa.
Deixei a namoradinha firme em Ribeirão e fui perder a timidez a mil quilômetros de distância. Continuei o namoro por cartas. Com as outras, por meio de abraços e beijos. Foram muitas, todas bem mais novas que eu. Após formado e doze anos depois de namoro com a primeira namoradinha, sim, aquela do primeiro beijo, casamo-nos. Dez anos depois, o desgaste e naturalmente a separação.
Dois meses após, saboreando um pastel de queijo em uma lanchonete, vejo andando pela calçada uma menina que eu estimei tivesse uns quinze anos. Na realidade tinha vinte e um; eu, quarenta e um. Olhei-a acompanhando estupefato seu andar bamboleante. O pastel ficou parado entre os lábios, a boca entreaberta, faltando a mordida. O pastel parou e o coração disparou. Era ela, a mulher da minha vida . Acabava de passar diante dos meus olhos. De lá para cá são dezoito anos vividos apaixonadamente...
Até hoje olho em seus olhos e me emociono, ouço sua voz e me enterneço, sigo seus passos e encontro meu caminho, beijo seus lábios e renasço para a vida !
Ainda bem que no colégio os Irmãos Maristas não proibiam de comer pastel de queijo no recreio.
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Hélio França é engenheiro e escritor |
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