Na lousa, sua caligrafia era perfeita: letras redondas, levemente inclinadas para a direita, bem legíveis, retas, enfim, bonitas, muito bonitas . Elegantemente vestido, os ternos lhe eram feitos sob medida e o nó da gravata, cuidadosamente elaborado, completava o esmero do seu vestuário. Certa vez, no retorno de uma de suas viagens à Europa, ele entrou na classe com o perfume de Paris. As meninas entreolharam-se extasiadas. Nós, os varões, tivemos de reconhecer que o mestre , sem a menor dúvida, irradiava um perfume suave, diferente, cativante, agradabilíssimo.
Sua voz não era nem forte e nem grave. Talvez, por isso mesmo, ele tenha inovado a maneira de se fazer um discurso. Não era um orador para as grandes massas populares. Falava como um professor que se preocupava muito menos com a retórica e muito mais com a compreensão do assunto exposto. Conferencista de renome, sabia cativar o auditório pela propriedade com que usava as palavras e pela lógica do seu raciocínio.
Jamais se exasperava. Com um simples olhar, ele mantinha a disciplina da classe. Se necessário, armava-se com um sorriso irônico e disparava suas setas mortais contra os infratores que, envergonhados, acalmavam-se pelo resto do semestre.
Numa de suas aulas no Ateneu Francano, ao entrar na classe, notou o quadro negro sujo e sinais evidentes de bagunça generalizada. Pegou o apagador e, antes de começar a limpeza do quadro negro, soltou:
“Os asnos por onde passam deixam os seus rastos”.
Do fundo da classe, timidamente, alguém disse:
– E o que vem atrás apaga.
O mestre olhou fixamente os alunos, localizou o dono da voz, pediu-lhe que viesse até a frente, entregou-lhe o apagador e falou:
– O Sr. Tem toda a razão. Pode delir os vestígios.
Culto, mordaz, meio distante, extremamente didático, o Prof. Dr. Alfredo Palermo era muito generoso nas notas atribuídas aos seus alunos. Não usava delas para amedrontar os estudantes, manter a disciplina e forçar o aprendizado. Seus métodos eram outros muito mais avançados e pedagógicos.
Indubitavelmente: esta era a palavra que ele frequentemente pronunciava e da qual seus alunos , falseando a voz, se utilizavam quando queriam imitá-lo. Mas, continuando, indubitavelmente, o Dr. Alfredo Palermo foi um grande professor, um professor acima da média, um professor que deixa saudades. E, indubitavelmente, para finalizar: o Dr. Alfredo Palermo tem um lugar de destaque na História de nossa Franca. História da qual ele foi autor e narrador.
Sua voz não era nem forte e nem grave. Talvez, por isso mesmo, ele tenha inovado a maneira de se fazer um discurso. Não era um orador para as grandes massas populares. Falava como um professor que se preocupava muito menos com a retórica e muito mais com a compreensão do assunto exposto. Conferencista de renome, sabia cativar o auditório pela propriedade com que usava as palavras e pela lógica do seu raciocínio.
Jamais se exasperava. Com um simples olhar, ele mantinha a disciplina da classe. Se necessário, armava-se com um sorriso irônico e disparava suas setas mortais contra os infratores que, envergonhados, acalmavam-se pelo resto do semestre.
Numa de suas aulas no Ateneu Francano, ao entrar na classe, notou o quadro negro sujo e sinais evidentes de bagunça generalizada. Pegou o apagador e, antes de começar a limpeza do quadro negro, soltou:
“Os asnos por onde passam deixam os seus rastos”.
Do fundo da classe, timidamente, alguém disse:
– E o que vem atrás apaga.
O mestre olhou fixamente os alunos, localizou o dono da voz, pediu-lhe que viesse até a frente, entregou-lhe o apagador e falou:
– O Sr. Tem toda a razão. Pode delir os vestígios.
Culto, mordaz, meio distante, extremamente didático, o Prof. Dr. Alfredo Palermo era muito generoso nas notas atribuídas aos seus alunos. Não usava delas para amedrontar os estudantes, manter a disciplina e forçar o aprendizado. Seus métodos eram outros muito mais avançados e pedagógicos.
Indubitavelmente: esta era a palavra que ele frequentemente pronunciava e da qual seus alunos , falseando a voz, se utilizavam quando queriam imitá-lo. Mas, continuando, indubitavelmente, o Dr. Alfredo Palermo foi um grande professor, um professor acima da média, um professor que deixa saudades. E, indubitavelmente, para finalizar: o Dr. Alfredo Palermo tem um lugar de destaque na História de nossa Franca. História da qual ele foi autor e narrador.
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Chiachiri Filho é historiador, criador e diretor por oito anos do Arquivo municipal e membro da Academia Francana de Letras |
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