Mauro Ferreira
Tudo começou quando meu sobrinho e afilhado, um marrento torcedor do Santos, disse em almoço familiar que a Jamaica seria representante da África na Copa do Mundo deste ano. Sob intensas vaias da galera, ele teve que se retratar e prometeu estudar mais geografia. Lembrou-me o que eu já tinha passado por causa da geografia. Quando eu ia iniciar as aulas no jardim da infância no Grupo Escolar Cel. Francisco Martins, lá pelos idos de 1957, 58, meu irmão mais velho, o Luiz Gonzaga, inventou a estória que no primeiro dia de aula a professora, dona Sônia Luz, fazia uma chamada oral com os alunos e perguntava a capital de todos os estados do Brasil e dos países do mundo. Quem não soubesse era colocado imediatamente de castigo.
O bobão aqui, que ainda nem sabia ler, acreditou. Passei as férias na decoreba mais descarada, ele ditando e eu gravando aqueles nomes esquisitos todos na cachola. Ele também tinha todo o tempo do mundo a perder. É verdade que, naquela época, havia menos estados, menos capitais e muito menos países para aprender. Hoje, a cada dia aparece um país novo e uma nova capital, cidades e países brotam do nada, de novas guerras e disputas territoriais, o que torna tudo bem mais difícil. Mesmo assim, aprender parte da geografia mundial valeu para alguma coisa, no mínimo para melhorar meu desempenho nas palavras cruzadas que faço diariamente. Dizem que é bom para a memória, mas já esqueci quem foi que disse isso.
A escola pública onde estudei decaiu muito de lá para cá, dizem quase todos os especialistas, por um conjunto de motivos. Há um lado positivo, é que diminui cada vez mais o número de crianças que não freqüentam o ensino regular, o que não é pouco.
Porém, a queda de qualidade do ensino é preocupante para o futuro do país. O samba do crioulo doido, a imortal criação do Stanislaw Ponte-preta, instalou-se na cabeça dos alunos e a ignorância de fatos que deveriam ser corriqueiros provoca uma confusão cada vez maior. Num encontro com estudantes universitários, conversando sobre as cidades brasileiras atuais e sua história, perguntei por quanto tempo houve o domínio português sobre o Brasil. Para meu completo espanto, ninguém sabia. Pior, os estudantes confundiam tudo: 15 de novembro teria a ver com o fim da colonização portuguesa, 7 de setembro e 21 de abril eram apenas feriados que permitiam voltar para as cidades onde moram, para visitar os pais e as namoradas que deixaram. Guerra do Paraguai? Porquê? Houve algum problema com a muamba na receita federal ou com a usina hidrelétrica de Itaipu?
É verdade que nem alguns deputados e senadores sabem o que significam essas datas e seus acontecimentos, mas está ficando cada vez mais difícil entender para onde caminhamos. Parem o ônibus que eu quero descer.
O bobão aqui, que ainda nem sabia ler, acreditou. Passei as férias na decoreba mais descarada, ele ditando e eu gravando aqueles nomes esquisitos todos na cachola. Ele também tinha todo o tempo do mundo a perder. É verdade que, naquela época, havia menos estados, menos capitais e muito menos países para aprender. Hoje, a cada dia aparece um país novo e uma nova capital, cidades e países brotam do nada, de novas guerras e disputas territoriais, o que torna tudo bem mais difícil. Mesmo assim, aprender parte da geografia mundial valeu para alguma coisa, no mínimo para melhorar meu desempenho nas palavras cruzadas que faço diariamente. Dizem que é bom para a memória, mas já esqueci quem foi que disse isso.
A escola pública onde estudei decaiu muito de lá para cá, dizem quase todos os especialistas, por um conjunto de motivos. Há um lado positivo, é que diminui cada vez mais o número de crianças que não freqüentam o ensino regular, o que não é pouco.
Porém, a queda de qualidade do ensino é preocupante para o futuro do país. O samba do crioulo doido, a imortal criação do Stanislaw Ponte-preta, instalou-se na cabeça dos alunos e a ignorância de fatos que deveriam ser corriqueiros provoca uma confusão cada vez maior. Num encontro com estudantes universitários, conversando sobre as cidades brasileiras atuais e sua história, perguntei por quanto tempo houve o domínio português sobre o Brasil. Para meu completo espanto, ninguém sabia. Pior, os estudantes confundiam tudo: 15 de novembro teria a ver com o fim da colonização portuguesa, 7 de setembro e 21 de abril eram apenas feriados que permitiam voltar para as cidades onde moram, para visitar os pais e as namoradas que deixaram. Guerra do Paraguai? Porquê? Houve algum problema com a muamba na receita federal ou com a usina hidrelétrica de Itaipu?
É verdade que nem alguns deputados e senadores sabem o que significam essas datas e seus acontecimentos, mas está ficando cada vez mais difícil entender para onde caminhamos. Parem o ônibus que eu quero descer.
![]() |
Mauro Ferreira é arquiteto, escritor |
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
