Sequestros e desgoverno


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Depois das capitais, as cidades do interior vivem agora o drama da insegurança pública. Os assaltos, sequestros, sequestros-relâmpago e ocorrências do gênero proliferam a ponto de, inseguros, os moradores contratarem segurança para os portões de suas residências, empresas e outros locais por onde têm de trafegar com frequência. Ficam claras a omissão e a falência do Estado no cumprimento do seu dever de garantir segurança.
A contratação de vigilância própria é um paliativo, pois resolveapenas o resultado, mas não a causa. O Estado tem por obrigação criar um ambiente salubre à população, garantindo o seu direito de ir e vir em segurança. Para tanto, tem de aumentar o efetivo da segurança pública, equipar as polícias, pagar salários condizentes aos policiais (para evitar que sejam obrigados a fazer bico e venham depois descansar na repartição ou na viatura) e cumprir  deveres sociais, que vão desde emprego, moradia, saúde e educação a outros.


Temos assistido governos irresponsáveis festejarem como se fossem de suas autorias o bom desempenho de setores da sociedade e da economia; tentarem convertê-los em bônus eleitorais e, ao mesmo tempo, negligenciarem criminosamente com suas obrigações para com a população que frequenta a escola pública sem aprender, morre sem atendimento nas portas de hospitais, sofre nas filas de desempregados e é vitima de toda a desigualdade que, a cada dia, mais se acentua. O produto de todo esse desgoverno se manifesta no aumento da massa carcerária, inflada na sua maioria por indivíduos sem oportunidades, e o poder público ineficiente, tornar-se refém das facções criminosas criadas no vácuo do poder.


Algo imediato e inadiável precisa ser feito para reverter o quadro. Os governantes demagogos têm de pensar menos nas próximas eleições e mais nas obrigações assumidas no pleito anterior. Tratar de apoiar verdadeiramente, através de incentivos e até isenções, o empresariado que dá empregos. Oferecer salários dignos aos professores, pessoal da saúde e policiais. Fazer grandes mutirões para acabar com a sub-habitação e com todas as variáveis sociais que levam o indivíduo à degradação e à miséria.


Muito provavelmente, o crime e sua violência estejam migrando para o interior, não pela eficiência do seu combate nos grandes centros como São Paulo, Rio e outros, mas porque nestas localidades os ladrões têm dificuldades para sumir com o produto do roubo em razão do trânsito caótico e cada vez mais congestionado, que acaba dificultando a sua rota de fuga. Um problema acaba resolvendo outro enquanto as autoridades dormem.


Chega de ineficiência e irresponsabilidade. Governo tem de governar. A história, sem dúvida, ainda vai condenar ao degredo moral todos os fanfarrões que, por omissão, deixaram a sociedade brasileira mergulhar no presente caos. No futuro, seus governos, certamente, serão conhecidos como "desgovernos"...

 

Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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