O bispo da Diocese de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, confirmou ontem, ao GCN Comunicação, que enviará as denúncias de pedofilia que pesam contra o padre José Afonso Dé, 74, à Nunciatura Apostólica. A Nunciatura funciona como embaixada do Vaticano no Brasil. A partir dessa comunicação, a próxima etapa é a abertura de um processo canônico contra o religioso.
Na noite da última segunda-feira, padre Dé foi indiciado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) por crime de estupro e violação sexual mediante fraude.
A decisão de enviar o caso com toda a documentação necessária ao Papa partiu após a publicação de um manual sobre o procedimento da Igreja Católica para os casos de abusos sexuais de crianças por padres, publicado nesta semana pelo Vaticano. O guia diz que a diocese local é a primeira encarregada de investigar o fato e responsável por tomar medidas cautelares para preservar a comunidade e as vítimas. Ainda segundo o documento, a comunicação das denúncias só são feitas se a acusação tiver peso.
Desde a divulgação das denúncias na segunda quinzena de março, Dom Pedro Luiz tem se mostrado coerente em suas posições. Na primeira nota oficial, o bispo desejou a transparência e apuração completa dos fatos e garantiu “não obstruir, dificultar ou impedir a busca da verdade”. Um dia depois, Dom Pedro afastou padre Dé de todas suas funções e atividades pastorais, inclusive dos compromissos assumidos fora da Diocese de Franca. O bispo diocesano determinou também que, durante toda a investigação, o religioso permanecesse disponível na diocese. “Vou comunicar a Nunciatura conforme orientações do Vaticano e reafirmo que o padre Dé permanece afastado”, disse o bispo.
Dom Pedro está fora de Franca para exames do coração e deve retornar à cidade amanhã. “Estou apenas aguardando liberação dos médicos para entrar em contato com o Núncio, em seguida volto para Franca”.
Ainda segundo o bispo, a abertura de um processo canônico contra o padre dependerá de orientações da Nunciatura Apostólica. Em Franca, a informação é de que toda a documentação necessária para o processo já está preparada. Com a abertura dos procedimentos no Tribunal Eclesiástico, padre Dé corre o risco de deixar de ser padre. O julgamento fica a cargo do Vaticano.
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