Delegada indicia padre Dé por estupro


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TARDE DE DEPOIMENTO - O padre José Afonso Dé coça a barba na DDM ontem. Inquérito será remetido à Justiça de Franca
TARDE DE DEPOIMENTO - O padre José Afonso Dé coça a barba na DDM ontem. Inquérito será remetido à Justiça de Franca

A delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio indiciou ontem o padre José Afonso Dé, 74, por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude (quando a vítima não é vencida por violência ou ameaça, como no estupro, mas enganada). A decisão foi tomada após o religioso prestar depoimento por oito horas. Padre Dé ouviu a delegada narrar as acusações que pesam contra ele, pode dar sua versão e tentou explicar o que teria levado os garotos a denunciá-lo. “Ele negou todas as acusações, como fez publicamente nas últimas semanas. Mas já temos suficientes provas colhidas no inquérito para indiciá-lo”, conclui a delegada no final da noite. O processo deve ser encaminhado à Justiça até o final desta semana.


Acompanhado por dois advogados, Eduardo Caleiro e José Chiachiri Neto - criminalista que trabalha em São Paulo e veio a Franca especialmente para fazer a defesa -, o padre Dé chegou à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) às 14h30 e foi direto para a sala da delegada, de onde só saiu às 22h30. De acordo seus advogados, durante essas oito horas, o vigário foi confrontado pela delegada com as narrativas de nove vítimas e rebateu cada uma delas. “Eles (os meninos) teriam motivos diferentes para denunciar Padre Dé, que explicou todos à delegada e indicou ainda o nome de pelo menos três pessoas que poderiam desmentir esses relatos”, disse o Eduardo Caleiro, sem dizer quais foram as explicações dadas pelo padre. Para a delegada, no entanto, essas possíveis testemunhas só devem ser ouvidas na fase judicial do processo e não na policial.


Quanto às semelhanças e coerências nas histórias de abusos contadas por jovens de diversos locais e em diferentes épocas contra o religioso, a delegada afirmou que padre Dé alegou que a ideia foi captada pelos meninos em notícias divulgadas pela imprensa no mundo inteiro. “Ele disse que dá ibope (acusações de pedofilia contra um padre) e por isso todos o estariam acusando da mesma coisa”, disse Graciela.


OUTROS PADRES
Os outros seis padres citados nos depoimentos dos meninos e que reconheceram à delegada que foram procurados pelos jovens e sabiam das denúncias antes que elas chegassem à polícia foram poupados pela policial. “Não serão indiciados individualmente, mas os depoimentos deles continuarão dentro do inquérito e vou citá-los no relatório que acompanhará o documento final. A decisão de tomar alguma providência ficará a cargo do juiz”, afirmou Graciela Ambrosio.

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