Basta alguém se aboletar no poder para querer calar as demais pessoas. Isso acontece na área privada ou pública. Claro está que no particular o que mais conta é o dinheiro. O dono de alguma empresa costuma julgar-se o dono da verdade. Pelo lado político, a soberba corre mais solta. Cada mandatário se arvora em detentor e quer ditar as regras dos destinos alheios.
Mais ainda, os detentores de cargo público querem tirar as palavras dos meios de comunicação. Eles se esquecem de que toda pessoa tem o direito de dizer em voz alta o que pensa do governo, da cidade, do estado, do país e até sobre Deus. Por extensão, essa prerrogativa individual sempre foi repassada para a mídia, que representa o pensamento da maioria se fazer ouvir.
Aliás, o povo pode apenas se manifestar durante a temporada de eleições. Mesmo assim, os legisladores só ouvem. Porque de concreto mesmo nada ocorre. A mais recente prova disso está no fato de a esfera federal ter relegado para segundo plano a discussão e votação de um projeto de autoria popular, sobre a necessidade de candidatos a cargos públicos terem a ficha limpa na justiça. Se o assunto não interessa a eles, então pode esperar.
Pelo lado municipal, a desfaçatez legislativa não é diferente. Os vereadores aprovaram rapidamente para si próprios um aumento de salário ilegal. Até secretário do prefeito avalizou a legalidade (inexistente) do reajuste. Edis desinformados acreditaram. Não fosse este jornal divulgar prontamente, o irregular benefício salarial já estaria em vigor. O gasto desnecessário sairia todo do contribuinte.
Além do bom salário e das regalias extras, os vereadores precisam dispor de pouco tempo para cuidar dos afazeres legislativos. Para isso, querem mais colegas. Pode ter certeza de que em 2012 a luta vai ser renhida. Eles vão querer mais pares e apresentarão projeto de aumento no número dos nobres representantes do povo na Câmara. A brecha na lei existe. A ampliação do quadro chegará no tempo certo.
Diante da corrupção, quase sempre vem à mente a questão que envolve o numerário público. Principalmente no tocante ao aproveitamento pessoal de verba destinada a uma causa e usada em outra. Pouca gente vislumbra a área sombria da moral vigente ser corrompida frontalmente pelos legisladores ou mesmo por executivos e até pelos altos funcionários públicos.
Essa corrupção da moral torna-se mais danosa ainda à população. Serve de exemplo negativo para todos. Quando os costumes sofrem deterioração, justamente no lugar em que se deveria pautar por criar paradigmas condutores da sociedade, quem é que vai respeitar uma lei originada em Câmara que só pensa em si?
Não é à toa que se vê tanto desrespeito por toda parte. Do descumprimento do mais simples regulamento de trânsito até chegar à maior propina, como a compra de aviões, sem necessidade, fica patente a falta de moral na área pública. Essas atitudes corrompem a mais virginal das purezas.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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