Ir à banca, comprar um pacote de figurinhas e voltar pra casa correndo só para colar no álbum e conferir quais estão faltando. Parece até uma cena nostálgica da infância e da adolescência que em nada se relaciona à era digital e à vida adulta. Não é bem assim. Muita gente bem crescidinha tem curtido esse hobby, um tipo de atividade que exige paciência e dedicação, mas que permite uma viagem única por diferentes áreas, do esporte ao desenho animado. Esse passatempo considerado relativamente barato se levada em conta a diversão e a interação social que propicia - geralmente um álbum custa na faixa de R$ 5 e um pacote com 4 adesivos menos de R$ 1 em média, encontra adeptos, e muitos, em Franca.
Na cidade existe há quatro anos até um grupo específico que agrega colecionadores, os "Amigos da Figurinha". A parada obrigatória para os vidrados pela atividade é a Praça do Cemitério da Saudade, onde é possível conferir as novidades que chegam à banca, trocar ou mesmo negociar os cromos. O movimento é comum aos sábados e domingos, entre 10 e 15 horas, e formado por quem leva o passatempo a sério.
Um dos mais aficionados pela mania é o aposentado José Renato, 53. Ele costuma ser presença constante na banca e troca figurinhas com crianças e adultos interessados em completar seus álbuns com ilustrações que já se tornaram raridade. Basta lhe dizer o número delas. Ele imediatamente vai ao seu Fiat Siena repleto de álbuns e figurinhas, tanto no banco traseiro quanto no porta-malas. Ele acredita que haja cromos para colar em pelo menos 100 álbuns diferentes, tais como de desenhos animados como Carros e Scooby Doo, além de filmes como Velozes e Furiosos e Harry Potter. Difícil será não encontrar a figurinha desejada. Avesso a fotos, ele não soube dizer à reportagem o número exato de cards que acumula. "Nunca fiz conta", responde ao ser questionado sobre quanto já gastou para sustentar a mania.
A atividade é uma terapia para José Renato e inúmeras pessoas. "Conheci o pessoal da banca e daí comecei a comprar álbuns e pacotinhos. Lá a gente tem facilidade de trocar com eles, além da internet, através da qual troco figurinhas com o Brasil inteiro", afirma a autônoma Juliana Finardi, 34 anos, que coleciona cromos há três anos e foi vista pela reportagem procurando os mais difíceis do álbum "O Tempo das Marcas" (2006), da Coca-Cola.
O hábito nunca fez parte de suas brincadeiras de infância. "Não temos filhos e quando eu e meu marido vamos à banca ele costuma dizer que sou a criança lá de casa", brinca Juliana, que acumula hoje mais de 90 álbuns completos, em sua maioria "de menina" como Barbie, Moranguinho e Hello Kitty. As coleções e as figurinhas estão guardadas de um modo muito organizado em sua casa, através de separações por temas. Hoje, Juliana costuma apelar principalmente para a internet a fim de ir atrás dos cromos em falta. Entre compras de pacotinhos e ilustrações raras, gasta até R$ 70 por álbum. O site utilizado por ela é o www.trocafigurinhas.com, espécie de rede social com fóruns e perfil que coloca em contato pessoas do Brasil unidas pelo mesmo hobby. As trocas são negociadas na plataforma online e as figurinhas são enviadas via correio. "Tenho cadastradas no site cerca de 25 mil figurinhas repetidas", afirma.
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