Everton de Paula
Ou seria só uma impressão?
A primeira vez que dei atenção a esse detalhe foi quando comecei a ler, nos restaurantes de beira de estrada, cada vez com mais frequência, o seguinte letreiro: “Não fique aí no carro; não faça cerimônia, venha como estiver!”
E as pessoas aceitavam o convite... Aos milhares! Surgiam de dentro dos carros, dos ônibus quase como a natureza as fez, mal vestidas e mal penteadas, num desleixo quase total, intoleráveis! As mulheres, descalças, ou com calças de toureiro imitando pele de onça.
Depois foi nos restaurantes por quilo. Os homens, de camiseta, deixando à mostra todos os pelos das axilas e parte das costas, debruçando-se sobre a pista de frios para encher o prato de azeitonas, palmito e rúcula. Às vezes caem algumas gotas de azeite sobre os dedos soltos dos pés, que ficam patinando ali na sandália de borracha, desse tipo havaianas. Uma delicadeza!
Pensei que a coisa ia ficando por aí. Mas, não; comecei a reparar que em diversos pontos da cidade as cenas se repetiam. Repetem-se diariamente nos restaurantes, filas de banco, ruas, calçadas, lojas. E assim vão à farmácia e ao cinema. Bem, cinema de shopping já é uma história a parte. O cidadão entra com um enorme pacote de pipocas e duas ou três latinhas de refrigerante. Já vem com os pacotes de plástico das compras que fez em algum departamento. E arruma os sacos plásticos, fazendo um barulho infernal que não termina nunca. Na ocasião, minha esposa, de natureza calma, virou-se e perguntou: “Mas o que é que o senhor está fazendo aí? Um ninho?” E depois começa a comilança, os refrigerantes e, naturalmente, os arrotos. Coisa fina!
Acho que algumas pessoas deveriam ir presas por certos desleixos que contrariam isto a que chamamos de civilização. Muitas outras deveriam ser presas pelo simples fato de irem à cidade.
As lojas e outras casas comerciais já entregaram os pontos. É aceitar o freguês do jeito que ele é ou está, ou perder a clientela. Restaurantes que antes tinham letreiros proibindo os homens entrarem sem gravata contentam-se agora que os homens usem calças, em lugar de bermudas. Para completar a impressão de repugnância, as bandejas com palitos estimulam os fregueses a palitar as belas e fortes dentaduras naturais e artificiais após o almoço. E lá ficam eles numa tarefa interminável, à busca de um pedacinho de carne ou de couve que insiste em ficar no meio dos dentes. Quando acabam por remover o resto de comida, dão uma puxada de ar para terminar cabalmente o trabalho. Não é elegante?
Mesmo em casa, na vida privada, será que não devemos respeitar a alguma cerimônia? Para que havemos de nos vestir como mendigos só porque não temos visitas? Dizem que os ingleses usavam roupa de rigor para jantar, mesmo quando estavam nas selvas, num safári. Não estou sugerindo que cheguemos a este ponto, mas não há por que poupar roupas limpas e decentes, nos grandes dias e no cotidiano.
Há milhares de anos que a espécie humana vem tentando melhorar. Agora, de repente, parece sentir o impulso de voltar a Neanderthal. Estamos simplesmente tentando viver com excessivo conforto, quando o que na realidade precisamos é nos abotoar para levantar o moral.
Uma das consequências desse relaxamento é que ele cria um desleixo tanto mental quanto físico, falta de brio, falta de preparo, falta de cuidado e falta de linha.
Antes de nos encontrarmos com alguém, será que nos lembramos de tratar de alegrar nosso rosto desanimado, de despertar o cérebro que cochila, de aprumar nossa atitude mental ou talvez mesmo de organizar nossa maneira de nos aproximarmos dessa pessoa? E de nossa aparência, estaremos cuidando?
Usar o melhor par de sapatos hoje é uma arte perdida. Vamos ressuscitá-la!
Devemos cuidar de nossa aparência. Vista-se direito, física e mentalmente. Faça cerimônia, não venha à vontade. Venha melhor!
Vir melhor não é sinônimo de riqueza, de abundância, de esnobismo, de afetação. Trata-se de uma questão de sensatez e educação. Simplesmente, use o que há de melhor dentro de si e evite deixar os pelos íntimos à vista. Por último, cuide bem de seu cheiro corporal. Os usuários das filas de banco agradecem.
A primeira vez que dei atenção a esse detalhe foi quando comecei a ler, nos restaurantes de beira de estrada, cada vez com mais frequência, o seguinte letreiro: “Não fique aí no carro; não faça cerimônia, venha como estiver!”
E as pessoas aceitavam o convite... Aos milhares! Surgiam de dentro dos carros, dos ônibus quase como a natureza as fez, mal vestidas e mal penteadas, num desleixo quase total, intoleráveis! As mulheres, descalças, ou com calças de toureiro imitando pele de onça.
Depois foi nos restaurantes por quilo. Os homens, de camiseta, deixando à mostra todos os pelos das axilas e parte das costas, debruçando-se sobre a pista de frios para encher o prato de azeitonas, palmito e rúcula. Às vezes caem algumas gotas de azeite sobre os dedos soltos dos pés, que ficam patinando ali na sandália de borracha, desse tipo havaianas. Uma delicadeza!
Pensei que a coisa ia ficando por aí. Mas, não; comecei a reparar que em diversos pontos da cidade as cenas se repetiam. Repetem-se diariamente nos restaurantes, filas de banco, ruas, calçadas, lojas. E assim vão à farmácia e ao cinema. Bem, cinema de shopping já é uma história a parte. O cidadão entra com um enorme pacote de pipocas e duas ou três latinhas de refrigerante. Já vem com os pacotes de plástico das compras que fez em algum departamento. E arruma os sacos plásticos, fazendo um barulho infernal que não termina nunca. Na ocasião, minha esposa, de natureza calma, virou-se e perguntou: “Mas o que é que o senhor está fazendo aí? Um ninho?” E depois começa a comilança, os refrigerantes e, naturalmente, os arrotos. Coisa fina!
Acho que algumas pessoas deveriam ir presas por certos desleixos que contrariam isto a que chamamos de civilização. Muitas outras deveriam ser presas pelo simples fato de irem à cidade.
As lojas e outras casas comerciais já entregaram os pontos. É aceitar o freguês do jeito que ele é ou está, ou perder a clientela. Restaurantes que antes tinham letreiros proibindo os homens entrarem sem gravata contentam-se agora que os homens usem calças, em lugar de bermudas. Para completar a impressão de repugnância, as bandejas com palitos estimulam os fregueses a palitar as belas e fortes dentaduras naturais e artificiais após o almoço. E lá ficam eles numa tarefa interminável, à busca de um pedacinho de carne ou de couve que insiste em ficar no meio dos dentes. Quando acabam por remover o resto de comida, dão uma puxada de ar para terminar cabalmente o trabalho. Não é elegante?
Mesmo em casa, na vida privada, será que não devemos respeitar a alguma cerimônia? Para que havemos de nos vestir como mendigos só porque não temos visitas? Dizem que os ingleses usavam roupa de rigor para jantar, mesmo quando estavam nas selvas, num safári. Não estou sugerindo que cheguemos a este ponto, mas não há por que poupar roupas limpas e decentes, nos grandes dias e no cotidiano.
Há milhares de anos que a espécie humana vem tentando melhorar. Agora, de repente, parece sentir o impulso de voltar a Neanderthal. Estamos simplesmente tentando viver com excessivo conforto, quando o que na realidade precisamos é nos abotoar para levantar o moral.
Uma das consequências desse relaxamento é que ele cria um desleixo tanto mental quanto físico, falta de brio, falta de preparo, falta de cuidado e falta de linha.
Antes de nos encontrarmos com alguém, será que nos lembramos de tratar de alegrar nosso rosto desanimado, de despertar o cérebro que cochila, de aprumar nossa atitude mental ou talvez mesmo de organizar nossa maneira de nos aproximarmos dessa pessoa? E de nossa aparência, estaremos cuidando?
Usar o melhor par de sapatos hoje é uma arte perdida. Vamos ressuscitá-la!
Devemos cuidar de nossa aparência. Vista-se direito, física e mentalmente. Faça cerimônia, não venha à vontade. Venha melhor!
Vir melhor não é sinônimo de riqueza, de abundância, de esnobismo, de afetação. Trata-se de uma questão de sensatez e educação. Simplesmente, use o que há de melhor dentro de si e evite deixar os pelos íntimos à vista. Por último, cuide bem de seu cheiro corporal. Os usuários das filas de banco agradecem.
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