“Meus olhos ficam neste parque,
minhas mãos no musgo dos muros,
para o que um dia vier buscar-me,
entre pensamentos futuros.”
Cecília Meireles in Retrato em luar
Aqui estou, diluída no espaço
Da praça, do parque, da vida...
Sopro lançado ao sereno;
Corpo dissolvido em limos
E fontes e ramas e flores...
Olhar flutuante.
O coração pulsa nas águas,
Regendo sons cristalinos.
Nos ares, suspensa,
A alma inteira.
Nos olhos, abertos,
Da Lua e da noite,
O tempo é lembrança e presença.
Envoltas em fios,
Palavras se tecem em malvas e heras,
“Mais duráveis”,
Já “que a voz é o apelido do vento”.
Olhos debruçados no ocaso,
Deponho-me aqui:
Carne e sonhos entre verdes e vento;
Vaga sombra, viva música,
“solitária, perfeita e pura”
Poesia eternizada
No infinito de um momento.
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