Detalhes agravam denúncias de pedofilia


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Um conjunto de novos depoimentos obtidos com exclusividade pelo Comércio reforçam as denúncias de abuso sexual contra o padre José Afonso Dé, de 74 anos. Nos dias 27 e 30 de março, dois jovens, um de 16 e o outro de 35 anos, concederam entrevistas gravadas à reportagem nas quais relataram que o padre teria tido comportamento abusivo. São declarações que vão  além dos já relatados toques no pênis e beijos. Os dois, moradores de Franca, conviveram com o sacerdote em épocas diferentes, mas narram em detalhes e com descrições semelhantes ataques que disseram ter sofrido ou flagrado. O jovem de 16 anos conviveu mais recentemente com o padre. Com o sonho de seguir a vida sacerdotal alimentado desde criança, foi morar na casa do religioso no Jardim Portinari, onde permaneceu por três semanas, em fevereiro deste ano. Padre Dé havia prometido conseguir uma vaga para ele no seminário. O menino desistiu antes. Um beijo na boca dado pelo padre à força foi o estopim para o jovem retornar para a casa dos pais. Os dois estavam sozinhos, sentados na cozinha, e o padre o teria abraçado, dado vários selinhos e beijado sua boca. Antes disso, o garoto relata ter sofrido e presenciado outros ataques. Diz que foi vítima da “brincadeira” que o padre batizou de “pirulito”, palavra que, sempre segundo o garoto, o religioso dizia enquanto apertava o pênis dele e de outros meninos ajudantes da igreja. O menino disse que flagrou padre Dé passando a mão nas partes genitais dos garotos mesmo dentro da sacristia e momentos antes de atravessar o corredor da Paróquia São Vicente de Paulo para rezar uma missa.


O jovem dormiu por cerca de 20 noites na casa de padre Dé. No reduto do religioso, o menino que ainda sonha ser padre diz ter ouvido o secretário de Dé e um seminarista que foi visitá-los transando durante a noite. Agora, o garoto quer ver padre José Afonso Dé atrás das grades. O mesmo sentimento de revolta é manifestado pelo rapaz de 35 anos. Em 1996, com 21 anos, também foi morar com padre Dé em um Seminário em Iturama, Minas Gerais.

O francano foi com intuito de se formar padre, mas não suportou permanecer no local por mais de um mês e meio. Ele afirma que no lugar de orações encontrou no seminário um palco de orgias e que padre Dé levava os seminaristas para dormir em seu quarto. Os ataques dos religiosos, segundo o rapaz, já eram vividos por quem convivia com ele. O jovem de Franca disse que foi vítima. Conta que padre Dé costumava se sentar na cama, vestindo um roupão, e chamava os meninos para conversar. Com o discurso de que “eram uma família e que ele era o ‘paizão’ deles”, pedia abraços, mas os afagos, relatou, sempre eram seguidos de ataques com beijos e toques nas partes íntimas. O rapaz desistiu de ser padre e nunca mais frequentou a igreja católica. Está casado e é pai de dois filhos.

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