O jovem francano de 16 anos que afirma ter sido beijado à força pelo padre Dé em fevereiro passado fez novas revelações sobre o período em que conviveu na casa do sacerdote, no Jardim Portinari. Ele sonha desde os cinco anos ser padre e, com a promessa de conseguir vaga no seminário, aceitou morar na residência de padre Dé. Permaneceu no reduto do sacerdote por três semanas. Saiu três dias depois de, segundo relatou, ter sido beijado na boca à força. O jovem ainda afirma que foi vítima, ao menos quatro vezes, da “brincadeira” do pirulito, em que padre Dé apertava o órgão genital dele. Ele também relata que flagrou o religioso fazendo o mesmo com outros meninos, dentro da igreja, minutos antes de entrar para rezar a missa. O menino afirma ainda que padre Dé era cúmplice de relações homossexuais. O jovem afirma que ouviu o secretário do padre e um seminarista que veio visitar o religioso tendo relações na casa do sacerdote, durante a noite.
Jovem - Na brincadeira que ele batizou de “pirulito”. Ele fez isso não só comigo, mas com outros meninos da paróquia. Ele passava a mão nas partes íntimas.
Jovem - Bom, na primeira vez a gente estava sozinho e ele pediu para eu pegar um livro e na hora que devolvi o livro para ele, ele foi lá, disse “pirulito” e puxou (o pênis). Na segunda vez, não pude fazer nada, até então eu queria dar um basta nisso, mas tinha gente perto. Foi por isso que eu não falei nada. Aconteceu umas quatro vezes comigo.
Jovem - Fiquei meio sem saber o que fazer porque sou tímido. Depois que ele faz as coisas parece que nem lembra mais do que fez. Fiquei pensando nisso por muito tempo.
Jovem - Porque precisava ter um motivo forte para ter saído. Isso é um motivo forte? É, claro, muito forte, porém tive medo de falar para minha mãe que tinha saído por causa disso, disso e disso. Se chegasse e falasse para ela o que ele fez, ela ia acabar com o padre.
Jovem - Sim, com os acólitos (que têm a mesma função dos meninos que acusam o padre de pedofilia e prestaram depoimento na DDM) na sacristia lá da paróquia (São Vicente de Paulo).
Jovem - Estava colocando minha túnica para começar a missa. Estavam três meninos mais eu.
Jovem - Fez com eles. Na hora que ele entrou na sala foi um menino. Geralmente, ele senta na cadeira e o menino ajuda ele a vestir a casula, que é a roupa que ele usa. Assim que ele pôs a casula, o padre fez isso com o menino. Antes de começar a cantar ele fez isso com outro menino. Desta vez eu vi bem de frente porque estava atrás do padre, o menino na frente dele e deu para eu ver bem nítido o menino na minha frente.
Jovem - Cantar para a procissão de entrada para começar a missa. Para mim, ele é doido. Para mim, isso é um ato homossexual.
Jovem - Um seminarista de outra diocese foi passar dois dias na casa do padre Dé e ele não tinha quarto para ficar e ficou no quarto do secretário do padre. À noite fui beber água, a casa estava escura, é claro, todo mundo estava dormindo. Passando na porta do quarto deles escutei alguns barulho esquisitos. Barulho de quando tem relação sexual.
Jovem - Claro, sem dúvida.
Jovem - Sim.
Jovem - Porque depois disso fui trabalhar e nem vi o padre Dé e muito menos as duas outras pessoas envolvidas. Fui trabalhar, cheguei, já peguei minhas coisas e fui embora.
Jovem - As piores da minha vida.
Jovem - Porque lá ouvi coisas que primeiro não condizem com a igreja católica, não condizem com uma pessoa que realmente é homem, para mim, os homens que moravam lá pareciam mulheres. Presenciei e sofri coisas que nunca tinha sofrido na vida; as “brincadeiras”, o beijo...
Jovem - Que todos os envolvidos sejam punidos. Do secretário até o próprio padre e se acontecer de outro padre estar envolvido, que ele também seja punido.
Jovem - Deixar de ser padre e ir preso.
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