Repórteres viajam para traçar passado de padre Dé


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Desde que as primeiras denúncias de pedofilia contra o padre José Afonso Dé, 74, - vigário da paróquia São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical, em Franca - foram apresentadas à polícia no último dia 24, a cada semana diferentes vítimas de diversas épocas surgem com novas acusações. As denúncias atravessam as últimas três décadas em Estados como Minas Gerais, Paraná e São Paulo.


Na última semana, o GCN Comunicação percorreu quase três mil quilômetros - enviou equipes a Apuracana e Curitiba, ambas no Paraná, e Iturama e São Sebastião do Pontal, em Minas Gerais - e ouviu narrativas que têm muitos pontos em comum. Um homem de longa batina branca que vivia cercado por meninos com idades entre 12 e 17 anos, fundava seminários para identificar a vocação dos menores e, mesmo assim, continuava a ser um vigário missionário, viajando, sem assumir uma paróquia por muito tempo. Era polêmico, sem "papas na língua" e adorado pelos fiéis.


A primeira narrativa data de 1977. Na época, a denúncia chegou ao então deputado estadual do Estado do Paraná, José Domingos Scarpellini. Ele afirmou em entrevista ao GCN Comunicação, publicada na edição de sábado, dia 10, do Comércio, que dois comerciantes de Apuracana, responsáveis pelas atividades do Cursilho da igreja Cristo Rei, acusaram o padre Dé de abusar de adolescentes de um seminário mantido na paróquia. "Um deles me confessou que estava surpreso com as ações do padre Dé. O religioso vinha, sistematicamente, abusando sexualmente de um dos menores do seminário". Os denunciantes, hoje falecidos, nunca procuraram a polícia. O caso, segundo Scarpellini, foi passado ao bispo Dom Romeu Alberti e o houve um procedimento interno na igreja, sendo arquivado por falta de materialidade. A Diocese de Apuracana diz não ser capaz de confirmar se houve ou não o caso. Após dez anos, segundo o Código de Direito Canônico, a documentação é incinerada.


Ainda em Apuracana, o GCN Comunicações teve acesso a dois cabelereiros. Eles afirmaram que em 1981, quando tinham 12 anos, viram o padre Dé entrar no quarto em que dormiam 16 seminaristas para abusar de um deles. Os casos relatados por supostas vítimas prosseguem em 1996, em Iturama, no Triângulo Mineiro; em 2002 e 2010, em Franca.

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