Casa de Chico vira museu em Uberaba


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MOVIMENTAÇÃO INTENSA - Túmulo onde o médium Chico Xavier foi enterrado em Uberaba: centenas de admiradores frequentam o local semanalmente
MOVIMENTAÇÃO INTENSA - Túmulo onde o médium Chico Xavier foi enterrado em Uberaba: centenas de admiradores frequentam o local semanalmente

No número 165 da Rua Dom Pedro I, no Parque das Américas, em Uberaba, fica hoje o Museu Chico Xavier. Mas talvez esse não seja o melhor nome para a residência onde viveu e morreu o médium na cidade mineira. A casa nada tem de fria e vazia, características, não raro, encontradas em museus. Se Chico “vive” para muitos, certamente é ali onde a afirmação mais se aproxima da realidade. Algo especial faz com que aquela casa seja diferente.


Seus pertences estão lá. Móveis, roupas, objetos pessoais. A sensação é a de que ele foi até a esquina e já volta. A casa impressiona pela simplicidade, especialmente do cômodo onde o médium dormia - uma “mini-suíte” formada por um minúsculo quarto (de não mais que seis metros quadrados) e um igualmente pequeno banheiro.


As boinas, usadas para ocultar a incômoda calvície quando ele abandonou as perucas, estão penduradas na parede do quarto ao lado. O barbeiro Belmiro Chagas Neto, 60, conta que por 32 anos cuidou da aparência do médium. “Eram várias perucas, mas com o tempo foi deixando de usar e optou pelas boinas. Mas o que mais guardei foi o que aprendi. Aprendi muito sobre a importância do silêncio”, conta. Também penduradas nas paredes estão as fotos. Milhares. E em todas as paredes.


Se quiser uma água, é na talha de barro que fica na cozinha absolutamente preservada que o visitante pega. Na mesa da mesma cozinha, uma “bagunça organizada” de cadernos acentua a sensação de que alguém vive por lá. São os livros de registro. Divididos em “visitantes”, “desencarnados” e “preces” - esta repartição para registro de nomes de pessoas enfermas. Os visitantes ficam à vontade para registrar nomes nos três.


A voz de Chico lendo cartas psicografadas pode causar confusão entre passado e presente, vida e morte, aos mais desavisados. Vem de um toca-fitas sobre um aparador da copa. São gravações do médium lendo algumas cartas.


Foi nesta casa, em seu quarto, na cama simples de solteiro, que ele morreu em 30 de junho de 2002. Calmamente, ele se acomodou em seu leito, postou as mãos em atitude de prece e, às 19h30, parou de respirar. Pararam também as comemorações da conquista do Pentacampeonato da Seleção Brasileira de Futebol, ocorrida no mesmo dia. Era luto na cidade.


Para manter tudo como foi até aquele dia, o dentista Eurípedes Humberto Higino dos Reis, 60, que cresceu na companhia de Chico, explica que construiu um sobrado no mesmo terreno para morar e, caminhando pela casa, vai detalhando os hábitos do homem que chama de pai. “Aqui ele se sentava. É exatamente nesta mesa, neste sofá, conforme está nas fotos”, mostra.

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