Em Pedro Leopoldo está o primeiro centro espírita criado por Chico Xavier, o “Luiz Gonzaga”, fundado junto com um grupo de amigos em junho de 1927. A atual sede, casa onde Chico nasceu, na Rua de São Sebastião, foi inaugurada no dia 2 de abril de 1950. O dedo caridoso de Chico está por lá. À frente da casa funciona uma livraria e uma biblioteca. Ao fundo, encontramos Marta Xavier, 76, viúva de Flávio Rena Xavier (morto há nove anos), sobrinho de Chico Xavier. Ela e um grupo de amigas trabalhavam em máquinas de costuras. “De janeiro a junho costuramos roupas de inverno e, de julho a dezembro, de verão”, explica. Tudo para doação.
Com a voz mansa, tipicamente mineira, ela conta que as visitas de Chico a sua casa eram frequentes. O sogro dela, José Cândido Xavier, morto em 1939, era o irmão mais próximo de Chico. Relatos e registros biográficos indicam que a perda do irmão foi muito sofrida para o médium. “Quando morreu o José, nós estávamos ali na rua (São Sebastião) jogando bola, não passava carro. Ele teve pressão alta, acho que um derrame, e logo veio a notícia da morte. Foi uma tristeza”, disse o escritor José Issa Filho, 87, que foi vizinho da família.
Ao lado do “Luiz Gonzaga” foi inaugurado o Memorial do Centro Espírita Luiz Gonzaga, mais uma forma de homenagem ao filho mais ilustre da cidade. A dois quarteirões fica o Centro Espírita “Meimei”, grupo também fundado por Chico Xavier e um grupo de amigos em julho de 1952 para realizar as atividades mediúnicas de desobsessão. Atualmente em plena atividade, o prédio é sede de três comunidades espíritas diferentes.
Em uma casa extremamente simples anexa ao imóvel vive dona Josefa Soares dos Santos, de 95 anos, um “baú vivo” de histórias daquele local. Demonstrando orgulho, ela fala das visitas de Chico a sua casa. “Quando Chico estava aqui no centro, sempre que acabava o culto vinha na minha casa. Gostava de tomar chá de erva cidreira. Tomava o chá, batia papo, dava risadas altas e ia embora”.
Atualmente a cidade conta com sete centros espíritas. Já a vizinha metropolitana Belo Horizonte tem pelo menos 130, segundo Jhon Harley, que também preside a Aliança Municipal Espírita de Pedro Leopoldo.
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