Desde que as primeiras denúncias de pedofilia contra o padre José Afonso Dé, 74, - vigário da paróquia São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical em Franca - foram apresentadas à polícia no último dia 24, a cada semana surgem novas acusações de diferentes vítimas, de diversas épocas. Até agora, 21 pessoas foram ouvidas pela polícia: jovens que dizem ter sido vítimas, padres e o bispo de Franca. Mas as suspeitas de abuso vêm de mais tempo. Nas últimas três décadas e em três estados diferentes - PR, MG e SP - o nome do padre está associado a casos de abusos sexuais.
A primeira data de 1977. Na época, a denúncia chegou ao então secretário de Governo do Estado do Paraná, José Domingos Scarpellini. Poucos anos depois, em 1981, na mesma cidade de Apucarana, no norte do Paraná, dois jovens relatam que o padre entrou no quarto em que dormiam 16 seminaristas para abusar de um deles. As suspeitas prosseguem em 1996 (em Iturama, no Triângulo Mineiro), em 2002 e 2010 (em Franca).
Apesar do tempo que separa as denúncias, as narrativas dos rapazes que dizem terem sido vítimas do padre têm muitos pontos em comum, principalmente beijos e carícias nos órgãos genitais. Na última semana, repórteres do GCN Comunicação percorreram quase 3 mil quilômetros para ouvi-los. Jovens que sonhavam em ser padre, dizem terem sido abusados por quem menos esperavam: o padre Dé, o religioso que lhes atestaria a vocação.
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