Seis religiosos depõem e confirmam: conheciam denúncias contra Padre Dé


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MAIS PRÓXIMO A DEPOR - O padre Dé deve ser intimado na próxima semana a ir à delegacia prestar esclarecimentos sobre o polêmico caso
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Três padres afirmaram à delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Graciela de Lourdes David Ambrósio, ontem, que conheciam as denúncias de estupro contra padre José Afonso Dé, 74. Somados aos depoimentos de outros três padres ouvidos pela delegada na semana passada, são seis padres, de paróquias diferentes, que confirmaram oficialmente à polícia que tinham conhecimento das denúncias de abusos feitas por garotos contra o padre Dé.


Os padres Devair da Fonseca (reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Patrocínio e vigário da Paróquia Santana), Adilson Fortunato (vice-reitor do Seminário Diocesano e vigário da Paróquia São Benedito) e Mauro Sérgio Marçal (transferido para Orlândia na semana passada, mas era vigário na Paróquia São Vicente de Paulo - a mesma de atuação do padre Dé) foram ouvidos ontem. Os dois primeiros afirmaram que souberam do caso depois que um jovem de 16 anos contou a eles que o padre Dé havia lhe dado um beijo na boca (selinho) quando estava morando na casa dele. O menino relatou o beijo aos religiosos durante o encontro dos vocacionados no Seminário, no dia 27 de fevereiro deste ano. “No momento não tenho condições de fazer uma avaliação porque não tenho dimensão do que tudo isso significa. Sei, é claro, que é uma acusação grave, que as acusações são pesadas”, disse padre Adilson.


Padre Mauro não deu detalhes dos relatos que ouviu, nem onde ou quando ocorreram. Afirmou apenas que um dos meninos o procurou e falou de abusos que teriam sido cometidos por padre Dé. Ele disse ainda que comunicou a denúncia ao padre Idair e iria avisar o bispo sobre o caso, mas não explicou porque não comunicou Dom Pedro Stringhini.


Os p adres que depuseram na semana passada, Dalmácio de Freitas (da Paróquia Santo Antônio), Ovídio de Andrade (pároco da Igreja de São Sebastião) e Idair Perina (pároco da Paróquia São Vicente de Paulo, onde o padre Dé era vigário até ser afastado pelo bispo por causa das denúncias de estupro) também confirmaram ter sido procurados neste ano por pelo menos um dos garotos que relataram as investidas de padre Dé. Nenhum dos seis religiosos tomou qualquer medida efetiva.


Padre Ovídio foi o primeiro padre a ser ouvido pela polícia, no dia 29 de março. Confirmou que um dos garotos havia lhe denunciado os abusos, mas não deu credibilidade. “Achei que era coisa de moleque”, disse. Padre Dalmácio disse à delegada, no dia 31 de março, que soube da denúncia no mesmo momento em que os padres Devair e Adilson. Os três dizem que decidiram informar o bispo da Diocese de Franca Dom Pedro Stringhini sobre o caso, mas Devair e Adilson alegaram ontem que não houve tempo porque o religioso ficou doente. “Pedimos autorização do jovem para levar os fatos ao conhecimento do bispo, mas naquela semana Dom Pedro sofreu infarto (dia 4 de março) e ficou impossível comunicá-lo. Antes de relatarmos isso, a imprensa divulgou os fatos”, disse Devair, durante entrevista nesta quarta-feira à tarde. Padre Idair Perina, que também depôs no dia 31 de março, disse à delegada Graciela Ambrósio que cinco garotos haviam o procurado e dois falaram dos abusos que teriam sido cometidos pelo padre Dé. “Ele afirmou que pediu a padre Dé que esclarecesse o caso junto aos meninos”, disse Graciela Ambrósio, no dia do depoimento. Idair se recusou a falar com a imprensa.


Além dos seis religiosos, os meninos, com idades entre 13 e 17 anos, que acusam o padre Dé de estupro, procuraram pelo menos mais uma pessoa em busca de apoio, sem sucesso. Margarida Mendes, coordenadora dos coroinhas da Paróquia São Vicente de Paulo, também admitiu ter sido procurada em fevereiro, em sua casa, por quatro adolescentes relatando os ataques do padre Dé, mas não acreditou e, como os demais, não tomou providências. Apenas aconselhou os meninos a evitarem ir à casa de padre Dé. “Não queria me envolver, então me calei. Não esperava que ganharia essa proporção”, disse ela ao Comércio no dia 25 de março. Os garotos relatam que os abusos aconteciam durante cafés da tarde realizados na residência do sacerdote, no mesmo bairro da igreja, no Jardim Tropical.


ESTUPRO
A acusação que pesa contra o padre Dé é a de estupro. De acordo com a Lei nº. 12.015 de agosto de 2009, que mudou a tipificação clássica deste crime no Código Penal Brasileiro, estupro passou a ser definido como sendo o ato de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique qualquer ato libidinoso. Sendo assim, não importa mais se a vitima é mulher ou homem e se houve ou não conjunção carnal, qualquer ato libidinoso contra a vontade da vítima atualmente é considerado estupro.

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