Prêmio para a confissão


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O francano já se acostumou a dizer: há coisas que só acontecem aqui. Temos de dar o braço a torcer à frase, diante dos fatos inusitados que desafiam qualquer tentativa de explicação racional. No último domingo, mais um destes foi registrado e, até a noite de ontem, ainda não havia sido totalmente explicado de forma convincente por seus protagonistas. Tudo começou na noite de sábado, quando um casal de namorados resolveu roubar um veículo. Ela, estudante, quinze anos. Ele, pedreiro, vinte e dois, já com passagem pela polícia por roubo à mão armada.


O assalto consumado pelo casal (também à mão armada) acabou logo em acidente. Depois de roubar um carro na Estação, bateram num ônibus e fugiram. Ou melhor, o rapaz fugiu. A garota, não. Foi presa, autuada e enviada para a cadeia feminina de Batatais. Aí começa o inusitado que desembocou no inexplicável: o ladrão resolveu se apresentar à autoridade policial no domingo, um dia depois do assalto, assumindo a culpa pelo acontecido. Ligou para a Polícia Militar, foi recolhido por soldados e compareceu ao plantão da Polícia Civil. Por mais incrível que pareça, não conseguiu sequer registrar o Boletim de Ocorrência. Foi dispensado. Exatamente isso. É tão absurdo que vale repetir: um homem, com passagem na polícia por assalto à mão armada, se apresenta confessando outro assalto e é simplesmente orientado a comparecer ao segundo Distrito Policial no dia seguinte.


Não é possível compreender a atitude da autoridade policial que atendeu o rapaz, assaltante confesso, ex-presidiário e o liberou prontamente. Não fez a devida autuação. Várias hipóteses surgem mas não há nada que justifique a inépcia do responsável pela situação. Será que é porque se tratava de um domingo?!?. Este caso chegou ao conhecimento da imprensa, foi divulgado na edição desta terça, em matéria deste Comércio. Por si só já é inacreditável. Mas cabe a pergunta: quantos outros podem ter acontecido, deixando em liberdade elementos perigosos, ameaçando os cidadãos francanos? Que explicação a autoridade policial daria ao casal que teve seu carro roubado sob ameaça de arma de fogo?


Não se pode esquecer que o pedreiro confessou o assalto, no qual utilizou uma arma de fogo, causando ainda prejuízo ao carro roubado e ao ônibus com o qual colidiu. Uma ocorrência grave. Não menos grave foi a atitude da autoridade policial que desconsiderou todos os protocolos da atuação policial ao dispensar o ladrão confesso, recomendando-lhe que se apresentasse em outro distrito policial na segunda-feira. A situação é séria e preocupante. Precisa ser investigada e, confirmada a falha na conduta do agente policial, a punição deve ser exemplar, para que a população sinta-se menos indignada com um fato como esse, no mínimo, esdrúxulo.

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