Quando alguém pede uma xícara de café em uma das famosas cafeterias da Europa tem grandes chances de estar tomando o café produzido na região de Franca. É para lá que vai boa parte dos grãos especiais produzidos na Alta Mogiana, composta por 13 municípios. Atualmente, 95% da produção é exportada tendo como destino países como Itália, Alemanha, Holanda, Bélgica, Austrália, Japão e até Israel. Os grãos são chamados especiais por serem considerados de melhor qualidade, aspecto, sabor e aroma. O preço, claro, é mais caro. Na região, apenas 20 cafeicultores trabalham com este tipo de grão e, juntos, produzem cerca de 200 mil sacas por safra.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana, Milton Cerqueira Pucci, a região tem potencial para aumentar a produção de grãos especiais principalmente pelo solo e clima, mas falta coragem e empenho por parte dos produtores para investir neste nicho de mercado. “É possível crescer, mas para isso o cafeicultor necessita agregar valores. Ele terá que investir na propriedade, em equipamento e no treinamento de pessoal. Isso custa dinheiro e o retorno nem sempre é rápido”, disse.
O casal Gabriel Oliveira e Flávia Lancha Oliveira teve coragem de entrar neste mercado e não se arrepende. Depois de mais de 20 anos lidando com a cafeicultura tradicional, os produtores sentiram que era hora de avançar. Há seis anos, o casal, que é dono da Labareda Agropecuária, que administra cinco fazendas sendo três de café, passou a produzir café especial. No começo, exportavam 20% da produção. Hoje mandam para fora 95% da safra com uma média de 22 mil sacas anuais. “Foram anos de pesquisa para saber exatamente o que deveríamos fazer para melhorar a qualidade dos grãos, mas valeu o esforço”, lembra Flávia.
Assim como Milton Pucci, Flávia Lancha também acredita que o mercado para o café especial ainda tem espaço. “Não temos estoque de café especial, tudo que é produzido é vendido. Vendo toda minha produção antes da colheita. É preciso acreditar e buscar mercado. Mas o cafeicultor deve se conscientizar de que terá que investir na propriedade e que não terá um retorno muito alto a curto prazo”. Atualmente, uma saca de café é comercializada por R$ 240, já a do grão considerado especial pode chegar a R$ 360.
O preço pago pela saca é a principal reclamação do cafeicultor Fernando Martins Barros, que tem propriedade em Nuporanga. “Para compensar todo o investimento, a saca deveria custar R$ 40 a mais. Hoje o retorno é muito pequeno”, disse Barros, que planta café desde 1970 e que há oito investiu na melhora da qualidade dos grãos e hoje exporta 100% da produção.
Apesar de não estar satisfeito com o preço da saca, Barros encoraja outros cafeicultores. “Temos espaço para aumentar a produção, basta investir na qualidade”.
Para quem se interessou, os especialistas disseram que a hora de investir é agora. “Com a queda da produção da Colômbia (um dos principais produtores de café no mundo), por razões climáticas e mudanças nas plantações, compradores estão vindo ao Brasil em busca do café fino. Estamos conquistando novos clientes principalmente nos Estados Unidos, na China e Taiwan”, disse o gerente do Departamento de Café da Cocapec, Anselmo Magno.
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