Agora é de verdade


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Esqueça tudo o que você já viu: oficialmente, até o dia 2 de abril, data estabelecida para candidatos ocupantes de cargos do Poder Executivo desincompatibilizarem-se, nada valeu de verdade. Agora é que a coisa pega fogo. Tudo o que foi divulgado até então, todas as inaugurações, aumentos salariais, greves, pode ser deixado de lado para a avaliação de seus candidatos. Pesquisas de intenção de voto devem variar muito nos próximos meses com a subida de alguns, queda de outros, e até com algumas promessas de zebras. Alguns candidatos, o principal deles o governador de São Paulo, José Serra, preferiram deixar a divulgação oficial de seus nomes para os 45 minutos do segundo tempo, mais por vaidade e charminho que por questões políticas reais. Nada de mais, apenas beicinho. Já a ministra da Casa Civil e candidata da situação, Dilma Roussef, vem sendo elevada à categoria de presidenciável nos braços de Luís Inácio Lula da Silva desde a fulminante queda de Pallocci (que nutria a preferência do atual mandatário) e dos Josés (o Genuíno e o Dirceu) em denúncias inabafáveis, nunca antes vistas na história desse País.


Dilma pra lá, Dilma pra cá, eis a candidata levada nos braços (e algumas vezes nos ombros) do presidente para encontros oficiais da cadeira maior do Brasil, inaugurações, eventos e até festinhas juninas. Palanque - pra que te quero? Elogios rasgados, beijos e abraços foram considerados por opositores e pela Justiça Eleitoral como antecipação irregular da campanha propriamente dita. Multa neles, mas o que importa? Diante das travas ferrenhas do TSE para as próximas eleições, qualquer multinha que se transforme em voto certo é despesa de campanha barata. Mostra que, por mais que os juízes eleitorais e seus fiscais estejam dispostos a colocar ordem na casa e limitar o abuso do poder econômico e político, a máquina do Estado continua sendo o melhor palanque para quem pretende subir nas pesquisas.


Mas, diante das pressões, os colegiados alegam ferrenhamente que a campanha pela eleição da petista começa realmente apenas agora. Assim como a de José Serra, que se desviou de normas e regras que restringiam contratações, promoções e aumentos salariais e, estritamente, dentro da data estipulada para o início do ajuizamento desses atos, resolveu seus principais problemas de ajustes necessários. Greves abafadas, empregos consolidados, remanejamentos estratégicos e todo mundo ficou feliz no fim das contas. Até mesmo alguns desgostosos de dentro do próprio partido de Serra, que nutriam escancarada preferência pela candidatura do mineiro herdeiro de Tancredo. Aécio Neves ficou no banco de reservas e manteve seu apoio às decisões da maioria peessedebista. A nós, reles mortais eleitores, resta apenas imaginar o que será divulgado nas campanhas oficiais e legais na corrida pelo Palácio do Planalto que já não tenha sido feito até agora extra-oficialmente.

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