Campanha silenciosa desafiará candidatos


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Candidatos a deputado nas eleições de outubro vão ter que gastar muita sola de sapato para convencer os eleitores e obter os votos necessários para garantir uma cadeira na Assembléia Legislativa ou na Câmara Federal. As restrições impostas pela Justiça Eleitoral devem silenciar a campanha e dificultar a apresentação de nomes e propostas. Pior para os postulantes que não ocupam cargos públicos.


A propaganda eleitoral somente será permitida a partir de 6 de julho. A exemplo das eleições passadas, estão proibidas a distribuição de brindes, como camisetas, chaveiros, bonés e canetas, e a realização de showmícios. A novidade é que os candidatos só poderão fazer até dez anúncios de publicidade, por veículo, em jornais padrão, revista ou tablóide. Mesmo assim, um espaço máximo terá de ser respeitado.


No caso de Franca, as restrições podem ser ainda maiores. A Câmara aprovou, há duas semanas, projeto de lei que proíbe a propaganda eleitoral em muros, paredes e fachadas de imóveis particulares. Na opinião do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), o excesso de proibições é prejudicial. “É necessário que a população tome conhecimento do programa e das ideias dos candidatos para dar um voto mais consciente. Quando se fecha demais, e é o que está acontecendo, você acaba deixando de levar informações úteis e importantes ao eleitorado”.


O deputado estadual Gilson de Souza (DEM) entende que o candidato terá que se adaptar e moldar a campanha de acordo com as exigências da lei. “No meu caso, não muda muito, pois sou mais simples, tenho o estilo do povo. Venho trabalhando há oito anos e conquistamos muitas coisas com a nossa dedicação. Temos muito o que mostrar e vamos usar tudo o que for permitido pela lei. Agora, quem pretende aparecer somente na campanha terá dificuldades”. O corpo a corpo com os eleitores e as visitas em casas serão repetidas. Uma equipe distribuirá o tradicional “santinho” e material de divulgação com os investimentos conquistados.


Pré-candidata a deputada federal, Graciela Ambrósio (PP) acha justas as proibições do uso do poder econômico. Na opinião da vereadora, deveria haver um limite de gastos para os candidatos não fazerem campanhas milionárias. “Porém, sou da opinião de que dinheiro nem sempre vence as eleições. Digo isso por experiência própria. Desde que comecei na política, as minhas campanhas são muito modestas. Na última eleição, fui a vereadora mais votada com apenas R$ 4 mil de gastos”. Caso confirme a candidatura, a delegada pretende repetir a fórmula da campanha passada fazendo reuniões com grupo de apoiadores e visitando os bairros. “Vamos usar os meios de comunicação disponíveis. A população é bem informada e tem acompanhado o nosso trabalho”.


O vereador Paulo Afonso Ribeiro (PT), também pré-candidato a deputado federal, disse que as proibições são bem vindas e importantes para o processo democrático.  “Teremos pouca estrutura. Vamos focar nossa campanha na região administrativa de Franca. Vou comprar uns tênis e sapatos confortáveis para correr atrás dos votos”, diz. A corrida do petistas atrás dos 70 mil votos necessários se dará basicamente por meio de discursos em caminhões de som e por meio de panfletagens.


Dono de uma cadeira na Câmara Federal, Marco Aurélio Ubiali (PSB) admite que candidatos em exercício de mandato vão se beneficiar, mas defende as restrições impostas pela Justiça Eleitoral. “Quem tem mandato, tem o nome conhecido. A renovação não será tão grande. Será a campanha do apoio. Pretendo usar os cabos eleitorais, formados por vereadores, prefeitos e líderes comunitários para divulgar meu nome. Vou entregar material de divulgação nas 300 Apaes do Estado”. O deputado acredita que uma campanha bem feita para federal não custará menos do que R$ 1,5 milhão. Disse que não investirá recursos próprios e que buscará financiamento junto ao empresariado.

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