Psicógrafos continuam trabalho em Uberaba


| Tempo de leitura: 3 min
Médiuns psicógrafos dão continuidade ao trabalho que popularizou Chico Xavier em Uberaba
Médiuns psicógrafos dão continuidade ao trabalho que popularizou Chico Xavier em Uberaba

Na Casa da Prece, rebatizada por Eurípedes Higino de “Centro Espírita da Prece de Chico Xavier”, as reuniões continuam. Mas não há psicografia. Os cultos, como sempre, acontecem aos sábados, a partir das 19h30 - horário em que Chico começava os trabalhos. A casa simples de esquina, também localizada na Avenida João 23, foi o principal local onde Chico psicografou nos últimos 27 anos de vida.


“Psicografia não tem mais. Não no nosso grupo. Têm outros na cidade”, explica Eurípedes. Dentre os “outros” estão os médiuns Celso de Almeida Afonso, 69, e Carlos Baccelli, 57 - atualmente os principais nomes da psicografia na cidade. Os centros espíritas onde atuam seguem atraindo fieis, curiosos, turistas e caravanas.


A reportagem do GCN Comunicação acompanhou um encontro no Centro Espírita “Aurélio Agostinho”, onde o médium Celso Afonso psicografa às segundas e sextas-feiras. Para tentar um contato com o “outro lado”, acompanhar o culto ou apenas tomar um passe (semelhante à benção dos católicos), cerca de 600 pessoas passam pela casa no Bairro Fabrício durante cada reunião.


Antes mesmo de a casa abrir para o encontro de sexta-feira, às 18h30, dezenas de pessoas já aguardavam do lado de fora. Rapidamente três filas se formaram. Uma para preencher uma ficha cadastral em busca de contato com alguma pessoa morta - é preciso citar nomes (seu e de quem morreu), grau de parentesco e as datas de nascimento e morte. Outra para falar com o médium sobre qualquer assunto - ele atende a todos. E uma terceira, a maior de todas - chega a dobrar a esquina -para receber o passe.


O veterinário Rafael Conagin, 23 - com quem a reportagem já havia encontrado no Museu “Chico Xavier” -, chegou cedo ao “Aurélio Agostinho” motivado pela ansiedade de um segundo contato com a avó morta - um primeiro, conta ele, ocorreu há seis meses.


Conagin disse que em nenhum momento duvidou da autenticidade da mensagem recebida por Celso Afonso. “A assinatura da carta é identica a do RG dela. Não tem nem o que dizer. Além disso, ela falou os nomes de todos os meus tios, dos meus primos. Não tem como questionar”.


Mas desta vez o contato não aconteceu. Para ele não deu. Nem para a maioria dos presentes. O médium psicografa, em média, de cinco a dez cartas por noite - todas cheias de particularidades.


Rose Maire Silva Pereira, 48, e Celina Carvalho da Silva, 69, filha e mãe, estavam na fila. Celina conta que duas perdas tiraram as forças da filha, moradora em Ribeirão Preto. “Ela perdeu o marido, então com apenas 39 anos, há dez anos. Estava se recuperando quando, no ano passado, meu neto, que tinha acabado de completar 27 anos, morreu de repente, de parada cardíaca. Ela não se conforma, ninguém se conforma”, disse.


Rose teve mais sorte que Conagin. Como cada pessoa pode solicitar na ficha de cadastro o contato com até dois parentes mortos, ela tentou receber notícias do marido e do filho. O marido “compareceu”, segundo o médium. Uma vez escrita, a carta é lida em público e entregue ao solicitante acompanhada de uma fita cassete com a gravação da leitura gratuitamente. Emocionada, Rose agradeceu a Celso. “Ele (o marido) falou até do meu netinho que vem aí, do meu outro filho”, comentou com a reportagem.


Ourives aposentado, Celso Afonso, que soma 35 trabalhos publicados, conta que o contato com a mediunidade e a atividade psicográfica foi incentivada e aconselhada por Chico Xavier, embora não trabalhassem juntos. “Ele me disse que deveria colocar em atividade esse dom. Eu dizia a ele que tinha receio de ser julgado e ele me encorajava. Mas não me considero um seguidor e, sim, um mau aluno do Chico. Ninguém consegue amar como ele amou”, disse.


Bacelli, do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, é autor de significativas obras para a doutrina e conviveu com Chico por 25 anos. Por cerca de dez anos psicografou ao lado do médium na Casa da Prece. Atualmente, segue o trabalho no “Aurélio Agostinho” atraindo centenas de pessoas nas reuniões.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários